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Quando o socioambiental e o econômico estão de mãos dadas, a sustentabilidade dá certo

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Em tempos politicamente incorretos, onde a ética foi deixada em segundo plano por diversos setores, duas vozes se mantém firme na defesa dos interesses da população e do meio ambiente no Estado do Rio

por Vilmar Berna

504bÁtila Nunes Filho, carioca, nascido em 14 de dezembro de 1948, é pai de Átila Nunes Neto e Átila Alexandre Nunes, sendo casado desde 1971 com a advogada Tânia Nunes. Jornalista, advogado e publicitário, é deputado estadual desde 1970. Em levantamento feito pelo jornal O Globo, Átila Nunes foi o parlamentar com melhor produção legislativa na última legislatura. Conhecido por ser grande defensor dos direitos do consumidor e da liberdade religiosa, é o parlamentar fluminense mais vezes eleito deputado estadual, somando onze mandatos, durante mais de 40 anos de vida pública. Segundo dados do projeto Excelências (www.excelencias.org.br), que traz informações sobre a atuação dos parlamentares em exercício no país, a maioria dos projetos sugeridos pelo deputado foi considerado importante para a sociedade, contemplando áreas como trânsito, saúde, deficientes, meio ambiente e segurança. Na Alerj, preside a Comissão de Meio Ambiente, atuando fortemente na preservação e denúncia de crimes ambientais no âmbito do Estado do Rio de Janeiro.

Rebia: O que é o Projeto “Tecendo a Cidadania”, de sua autoria?

Átila N. Filho: Trata-se de um incentivo à destinação dos retalhos da Indústria Têxtil para servir de matéria prima para trabalhos de detentos. Assim, ao mesmo tempo em que reduzimos o lixo produzido pelo setor, contribuímos para a ressocialização dos detentos, a geração de trabalho, de renda, a criatividade, a oferta de produtos inovadores com a marca da inclusão social. As unidades prisionais selecionada para implantação das oficinas recebem o maquinário e insumos necessários e cursos aos detentos sobre confecção de produtos a partir dos retalhos. Uma vez comercializados em pontos turísticos, hotéis, aeroportos e rodoviárias, os recursos arrecadados, descontando-se os valores investidos, são reinvestidos aos presos envolvidos no projeto.

Rebia: Por que o Sr. enfrentou o Setor Nuclear?

Átila N. Filho: Por que, a verdade, é que a população está praticamente abandonada no caso de um improvável, mas não impossível, acidente nuclear.

Veja, por exemplo, o que aconteceu em Fukushima, no Japão. Então, junto com os colegas, convocamos Setor Nuclear para uma Audiência Pública na Alerj apenas para constatar o que já sabíamos: num caso de acidente nuclear, que exija a evacuação da população, não há saída pelo ar porque não tem aeroporto, a estrada é deficiente, e não existem piers construídos ou abrigos. O representante do Setor Nuclear ainda tentou explicar que trata-se de um plano emconstante processo de melhoramento, mas é obvio que esta melhoria precisa partir de uma base mínima de razoabilidade! O atual Plano, ainda que melhore continuamente, precisa dar um salto enorme de qualidade para ser considerado minimamente aceitável. Na época, também enfrentamos a questão do licenciamento ambiental das usinas nucleares. O poder público, que cobra das empresas privadas uma série de responsabilidades ambientais, precisa ser o primeiro a dar o exemplo, operando suas atividades de maneira segura e com todos os licenciamentos e compromissos ambientais em dia! Angra II funciona há anos sem licença definitiva do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama). Continuamos de olho, cobrando uma resposta do Setor Nuclear.

Rebia: Quando foi Secretário de Trabalho e Habitação do Estado, entre 1989 e 1990, o Sr. foi responsável pela construção de cerca de dez mil casas populares. Foi dessa experiência que nasceu a ideia de reaproveitar as sobras de construção e de demolições para fazer tijolos ecológicos?

Átila N. Filho: Sim, constatei que existe um grande desperdício de materiais no setor de construção civil e demolições. Com a lei 6.006, de minha autoria, procuro contribuir para a solução do problema, sempre no conceito do tripé da sustentabilidade. Do ponto de vista ambiental, proponho um melhor encaminhamento dos resíduos da construção civil e demolições e, além disso, os tijolos ecológicos são auto encaixável, com dois furos no meio, o que suprime a necessidade de quebrar a parede para fazer a instalação elétrica e hidráulica, portanto, menos resíduos e melhor economia; do ponto de vista social, resíduos de construção podem virar tijolo ecológico para moradias populares; do ponto de vista econômico, o tijolo ecológico pode ser ainda uma fonte de geração de trabalho e renda.

Rebia: O Sr. propôs a criação de um Programa de Educação de Defesa Civil e trata do serviço voluntário na área. Por quê?

Átila N. Filho: O Estado do Rio de Janeiro tem sido assolado por fenômenos climáticos com grande intensidade sem que a população civil esteja preparada para enfrentá-los. É necessário que haja preparação prévia a fim de amenizar os graves efeitos desses eventos climáticos, o que passa necessariamente por um processo de educação de toda a população civil. O projeto que apresentei prevê inclusão de matéria interdisciplinar de noções de defesa civil nas escolas da rede pública e atividades de ensino informal para a população em geral. O ensino do tema será regulado pelo Conselho Estadual de Educação, que definirá conteúdo e carga horária. Já o serviço voluntário será oferecido a civis previamente cadastrados e treinados pelo Corpo de Bombeiros.

 


504cÁTILA A. NUNES, candidato a Deputado Federal (PSL) Espiritualista, combativo na luta contra a intolerância, Átila Alexandre Nunes, nascido em 24 de junho de 1974, é carioca, casado e pai de dois filhos. É economista formado pela PUC-Rio, com pós-graduação em Administração pelo IBMEC e em Comunicação pela ESPM, com curso de extensão em finanças na Universidade de Berkeley, Califórnia, Estados Unidos. Átila A. Nunes é um dos fundadores do serviço “Em Defesa do Consumidor”, com mais de 1 milhão de brasileiros atendidos nos últimos quase 20 anos. Como jornalista e radialista, produz o programa Reclamar Adianta na Rádio Bandeirantes, junto com o pai.

Rebia: O Sr. é vereador na Cidade do Rio de Janeiro, o que o Rio precisa em meio ambiente?

Átila A. Nunes: Há muito o que ser feito quando o assunto é meio ambiente em nossa Cidade. Tenho usado o meu mandato como vereador para cobrar da Prefeitura que acabe com o esgoto a céu aberto na Zona Oeste, aumentando a cobertura da rede coletora de esgoto; promova o plantio de 1 milhão de árvores em terrenos públicos, comunidades, parques e praças do Rio; que estimule os programas de lixo reciclável; que implante o Plano Diretor Ambiental, um programa de gestão de meio ambiente; que estimule a educação ambiental com a integração de atividades entre as Secretarias Municipal de Meio Ambientee de Educação, conscientizando os jovens para uma sociedade sustentável; que institua um nível de alerta para a qualidade do ar do Município do Rio de Janeiro; que torne em realidade a coleta seletiva de lixo, já que a Comlurb separa apenas, 0,27% das quase 9 mil toneladas coletadas diariamente; que estimule a criação de mais empresas de reciclagem e cooperativas de catadores de lixo; que inclua a Prefeitura como parceira na despoluição das lagoas de Jacarepaguá e Barra da Tijuca; que estimule a implantação de hortos; que torne obrigatória nas novas construções a captação de água das chuvas para abastecimento domiciliar.

Rebia: Muito se fala em sustentabilidade sem que os pilares mais básicos para a organização de ações populares sejam viáveis

Átila A. Nunes: Sim, especificamente para a nossa cidade, isso significa que precisamos criar leis e projetos que façam com que as pessoas não sejam dificultadas ao querer fazer parte dessa mudança. Falta promover à Comlurb, por exemplo, condições no trabalho da coleta seletiva, investir em indústrias de reciclagem, incentivar a transformação nas classes de educação infantil nas escolas de itens enviados para o lixo em algo reutilizável. Não se pode dizer que a responsabilidade está unicamente nas mãos do cidadão enquanto não for oferecido a ele formas de ajudar. A responsabilidade é nossa: tanto do governo quanto do cidadão.

Rebia: Eleito Deputado Federal, a causa dos animais ganharão mais um aliado no Congresso Nacional?

Átila A. Nunes: Não só a causa animal, mas as causas ambientais e da sustentabilidade. Claro que os animais merecem um carinho especial. A Declaração Universal dos Direitos dos Animais decreta que eles devem ter direito ao respeito e à proteção de nós, humanos, não devendo ser maltratados ou abandonados e, infelizmente, isso nem sempre acontece. O descumprimento dos direitos dos animais constitui atitude imoral e condenável em desrespeito à vida. No Congresso Nacional, pretendo trabalhar para que o Poder Público assegure parâmetros adequados de saúde sanitária, estabelecendo uma política de medicina veterinária de respeito aos animais e à saúde das espécies, em especial de cães e gatos, com fortalecimento do setor de zoonoses nas Cidades. Como parlamentar, podemos propor emendas ao orçamento neste sentido e aprovar projetos de lei, fiscalizar o Poder Executivo, e tudo isso farei visando a execução de práticas em benefício dos animais em todo o país, além de atuar fortemente em todas as causas socioambientais.


ALERJ

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