Imprimir

Impacto de desastres naturais recai sobre pobres

. Acessos: 987

554b
Super tufão Haiyan nas Filipinas deixou pelo menos 10 mil mortos e 2 mil desaparecidos em 2013

Em 10 anos, 2 bilhões de pessoas pelo mundo foram afetadas, mas só 4% das vítimas foram registradas nos países ricos

GENEBRA - Chove mais forte nos países pobres que nos ricos? A seca é mais intensa nas áreas miseráveis do mundo que nos grandes centros de poder? Se as mudanças climáticas atingem todo o planeta, sem distinção de fronteira ou regime político, um levantamento de uma década de desastres naturais revela que são os pobres os que mais morrem e sofrem com enchentes, secas ou furacões. Mas o problema não são os eventos climáticos, mas a própria pobreza.

Em dez anos, 2 bilhões de pessoas em todo o planeta foram atingidos por desastres naturais, um volume recorde e que mostra o impacto de eventos extremos como chuvas, secas ou furacões. Os dados estão sendo publicados hoje pela Federação Internacional da Cruz Vermelha que indica que, apenas em 2013, 100 milhões de pessoas foram afetadas.

Segundo o levantamento da entidade, entre 2004 e 2013, foram mais de 6,5 mil desastres naturais registrados em todo o planeta e em todos os continentes. As mortes em todo o mundo também batem recordes. Na última década, o número de vítimas fatais superou a marca de 1 milhão.

Mas o que os números revelam é que não são apenas os tufões ou inundações que explicam as mortes. Metade delas foram registradas nos 40 países mais pobres do mundo, com mais de 500 mil mortes. Os 50 países ricos do mundo, porém, somaram apenas 4% das vítimas fatais.

Os países mais pobres representam ainda 82% das mortes por tempestades e 61% das mortes por secas.

Em termos gerais, os 50 países mais ricos do mundo representam apenas 2% das pessoas afetadas pelos desastres.

 Se o custo humano de um desastre é relativamente pequeno nos países ricos, o custo econômico é de grandes proporções. Em dez anos, os desastres naturais custaram à economia mundial US$ 1,66 trilhão.

 Só em 2013 o custo chegou a US$ 119 bilhões, ainda que distante dos US$ 391 bilhões de 2011.

Desse total, US$ 1,1 trilhão de perdas foram geradas nos países ricos, onde tudo está segurado. Na África, porém, o custo financeiro dos desastres foi de apenas 0,4% do total. Nos países pobres, o volume chegou a meros US$ 51 bilhões.

Geografia. Pelo tamanho de sua população, a Ásia concentrou 1,6 bilhão da população afetada no mundo pelos desastres naturais. Nas Américas, o número chegou a 90 milhões.

No total, 7 milhões de brasileiros foram afetados por desastres desde 2004. Mas o número reflete uma diminuição do número de pessoas impactadas. Na década anterior, de 1994 a 2003, o número de brasileiros que sofreu com chuvas, secas ou inundações superou a marca de 22 milhões de pessoas.

 Se o total da população afetada caiu, o número de mortos no Brasil subiu de forma importante. Entre 1994 e 2003, foram 2,4 mil mortes. Uma década depois, a taxa subiu para 3,7 mil, o que coloca o País na 13a posição entre os locais que mais registraram mortes por conta desses desastres naturais.

Em 2013, 383 brasileiros morreram por conta de desastres e cerca de 261 mil pessoas foram impactadas pelo País.

 

Fonte: Estadão Sustentabilidade.


ALERJ

DMC Firewall is a Joomla Security extension!