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"A pauta ambiental perdeu espaço e ficou mais 'tendenciosa'", diz Marcelo Furtado

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120Da Redação Portal IMPRENSA

Ativista com mais de 20 anos de experiência em organizações nacionais e internacionais na área de meio ambiente, Marcelo Furtado é diretor executivo do Greenpeace Brasil desde 2008, engenheiro químico de formação e pós-graduado em Energias Renováveis pela Universidade de São Paulo (USP).

Furtado foi um dos painelistas do Fórum Mídia+sustentabilidade, uma iniciativa da IMPRENSA Editorial, com patrocínio da Light, que teve como objetivo promover um diálogo entre jornalistas, assessores de imprensa, iniciativa privada e entidades do Terceiro Setor. O evento também visou informar estudantes de Jornalismo sobre os impactos da Rio+20 na cobertura de pautas sustentáveis nas mais diversas editorias.

 

Além de discutir a importância da informação para o correto engajamento e conscientização da opinião pública acerca das questões ligadas ao desenvolvimento sustentável, a proposta do fórum buscou estimular a produção de conteúdo e repercussão de matérias relacionadas aos compromissos firmados durante a Rio+20.

Participaram do evento Agostinho Vieira, do Blog Economia Verde, René Capriles, Diretor e Editor da ECO21, Paulo Senra, Gerente de Estratégia e Sustentabilidade da Light e Washington Novaes, Consultor de jornalismo da TV Cultura. O fórum aconteceu em 13 de junho, no auditório da ESPM, no Rio de Janeiro.

À IMPRENSA, Furtado falou sobre a Rio+20 e a abordagem da mídia diante das questões ambientais. Acompanhe a entrevista.

IMPRENSA - A Rio+20 sofreu muitas críticas com relação à efetividade de seus resultados e dos acordos realizados. Um ano depois, existe algum rescaldo dos debates que tenham gerado resultados importantes?

Marcelo Furtado - Não. Nem os debates sobre os indicadores para o desenvolvimento sustentável pós RIO+20 pautaram a mídia. O pouco que apareceu foi pautado pelas reuniões da ONU em New York e não pela discussão na sociedade brasileira.

No jornalismo brasileiro, houve alguma mudança de olhar ou temática após o evento?

Sim. O que já era pouco diminuiu. Entretanto, é importante notar que parte do desinteresse está ligado ao tema, e parte à crise financeira do setor.

A sustentabilidade na mídia nacional tem seu espaço? Quais os temas mais recorrentes? O que falta ser abordado?

Como bandeira ou jargão sim. Mas isto não seria negativo se estivéssemos falando do aprofundamento e melhor contextualização do que entendemos por sustentabilidade. A realidade é que a pauta ambiental perdeu espaço e ficou mais “tendenciosa”. O debate do código florestal e mais recentemente da expansão da matriz hídrica na Amazônia focaram na agenda negativa e não na agenda positiva. Além disso, o debate não foi balanceado apresentando o contraditório e oferecendo espaço para aqueles que são contra os projetos. Poderíamos dizer que a apresentação dos distintos pontos de vista não aconteceu. O público ficou mal informado e sem o contraditório.

É importante que existam fóruns de discussão que versem sobre o tema? Por que?

Sim, porque a democracia se constrói sobre os acordos e consensos desenvolvidos junto à sociedade. Na agenda ambiental faltam fóruns e consequências as ações propostas.

 

Fonte: PortalImprensa

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