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Debates sobre a educação ambiental brasileira no VIII FBEA: rumo a SC em 2017

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583Maratona é a palavra que poderia definir o VIII FBEA , já que foram quatro dias (03,04, 05 e 06 de dezembro) de atividades intelectuais que exigiram resistência e preparo onde, além das mesas, oficinas, minicursos, jornadas e vivências aconteceu o II Encontro Panamazônico de Educação Ambiental

Por Lucila Vilar

Com uma programação intensa e diversificada a VIII edição do Fórum Nacional de Educação Ambiental (FBEA) reuniu diferentes atores sociais que debateram sobre questões relativas ao tema Educação Ambiental: Do Local ao Global, Tecendo Redes e Fortalecendo Sociedades Sustentáveis. O último dia do evento foi tomado por discussões da mesa sobre O Fortalecimento da Rebea e a dinâmica das Redes Sociais, formada por Jacqueline Guerreiro da Rede de Educação Ambiental do Rio de Janeiro (Rearj); Antonio Fernando Guerra, da Rede Sul Brasileira de Educação Ambiental (Reasul); Liana Márcia da Rede de Materiais de Educação Ambiental.

Antonio Guerra observou que há a necessidade de sensibilização dos indivíduos para que eles participem de ações em educação ambiental, além disso, “deve existir o estimulo à constituição de instituições de ensino com espaços educadores, sustentáveis, com propostas curriculares diferenciadas”. O representante da Reasul também anunciou que o IX FBEA acontecerá em Santa Catarina, em 2017.

Encerramento – A plenária final do Fórum foi composta pela profa. Dra. Marilena Loureiro, coordenadora geral do VIII FBEA; Thomas Mitschein, membro da coordenação do II Encontro Panamazônico de Educação Ambiental; Profa. Dra. Dulce Pereira, da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop); Mara Lúcia Figueiredo (Reasul); professor Fidélis Paixão, membro do Colegiado Nacional da Rede Brasileira de Educação Ambiental (Rebea); Diogo Damasceno da Rede da Juventude pelo Meio Ambiente e Sustentabilidade (Rejuma).

Para o professor Fidélis Paixão “um dos pontos mais positivos do Fórum foram as Jornadas de Educação Ambiental, que são ações de interesse para a Rebea, pois foram conduzidas pelas diferentes Redes que a compõem”. As Jornadas tiveram como resultado a produção de uma proposta de agenda que irá possibilitar uma integração mais efetiva entre as Redes, essa ação é essencial para o fortalecimento do enredamento dos atores de educação ambiental do país.

Além disso, os números do VIII FBEA são expressivos, foram mais de 1144 inscritos, 165 monitores, 136 apresentações orais, 317 painéis e 20 minicursos. A maior delegação foi do Pará, com 433 pessoas, seguida pelo estado do Rio de Janeiro, 157 participantes e São Paulo com 96 inscritos. A oitava edição do Fórum Brasileiro de Educação Ambiental termina com a produção de um documento político, a Carta de Belém, que será utilizada pelos atores sociais da educação ambiental em diferentes contextos.

Para Thomas Mitschein, membro da coordenação do II Encontro Panamazônico de Educação Ambiental existe uma razão simples para que a região norte do Brasil tome a frente no processo de aproximação da Panamazônia “a região está dividida em termos políticos, mas a natureza não liga para isso. Podemos minimizar os impactos negativos que o uso da terra desorganizado está trazendo para a região na medida em que cooperamos dentro de uma perspectiva do diálogo”, afirmou.

Mitschein considera que o II Encontro Panamazônico de Educação Ambiental foi uma ação bem sucedida, pois teve representantes do Equador, da Colômbia, da Bolívia e do Peru, onde as discussões resultaram na conclusão de que os países podem aprender mutuamente, principalmente em relação ao ensino bilíngue para indígenas desenvolvido no Peru (que é um processo bem avançado) e com o acordo de cooperação assinado com a universidade Ikiam, do Equador, que dentro da sua estrutura curricular privilegia disciplinas e discussões sobre a sustentabilidade e a conservação da Panamazônia, perpassando transversalmente todos os cursos que possui.

A professora Dra. Dulce Pereira, da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), acredita que o VIII FBEA foi um espaço onde foi possível perceber que “as Redes de Educação Ambiental do país se colocam como agentes conscientes de transformação”. E completa “As Redes perceberam que devem estar preocupadas com o momento histórico que vivemos e que é preciso assumir a responsabilidade da interferência e que há a necessidade de transformação. Aí reside as possibilidades de ação, na superação do medo de fazer o novo”, concluiu.

Mara Lúcia Figueiredo, da Rede Sul Brasileira de Educação Ambiental (Reasul), afirmou que a IX edição do FBEA será em Santa Catarina em 2017 e que os desafios são enormes, mas que há uma vontade muito grande das Redes que estarão envolvidas diretamente nesse processo para que o IX FBEA esteja “pelo menos, a altura do Fórum que encontramos aqui em Belém. Sei que será um grande desafio”, afirmou. Além disso, há um indicativo que a décima edição do FBEA acontecerá em Ouro Preto, em Minas Gerais.

Durante a plenária final a coordenação executiva, a comissão científica e a comissão cultural do VIII FBEA, representadas, respectivamente, pelas professoras Msc. Ana Lídia da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) e Dra. Maria Ludetana, UFPA; professor Igor Charles Castor Alves da (UniNassau); professora Leila Cristina Rocha.

“Fomos o primeiro estado no país a ter uma lei de Educação Ambiental, em 2003 fomos eleitos como a primeira representante das Cieas do Pará”, lembrou a professora Dra. Maria Ludetana ao contar um pouco da sua trajetória em educação ambiental no estado e sobre o surgimento do Grupo de Estudos em Educação, Cultura e Meio Ambiente (Geam/UFPA) que começou suas atividades em 1998. “Temos consciência de que não há condições de pensar e construir nada sozinho e o Geam/UFPA é um grupo de estudos sem fronteiras, que constrói suas ações a partir da capilaridade que tem na Universidade Federal do Pará e também das parcerias que faz com Universidades Irmãs, como a Ufra e a UniNassau, por exemplo”, afirmou.

“Salve a encantaria amazônica, salve quem tem fé e quem não tem. Salve a educação ambiental e os sujeitos vistos como sujeitos inteiros”, saudou os participantes do evento a professora Dra. Marilena Loureiro, coordenadora geral do VIII FBEA. Para a pesquisadora o Fórum foi um exemplo prático de que é possível fazer uma construção metodológica que traduz o que o indivíduo sente e pensa em ações práticas. “Teve muita gente que quase não dormiu nesses últimos dias para que a logística do Fórum acontecesse de maneira positiva e respeitosa aos seus participantes”, explicou.

“Acredito que esse coletivo demonstra que é possível afirmar o diálogo da educação ambiental amazônica, brasileira e panamazônica. Além disso, buscamos trazer para dentro da UFPA as preocupações com as questões socioambientais da região, conseguimos criar a pauta institucional”, concluiu a professora Marilena Loureiro.

O VIII Fórum Brasileiro de Educação Ambiental aconteceu de 3 a 6 de dezembro no Centro de Convenções Benedito Nunes, foi realizado pela Universidade Federal do Pará (UFPA), por meio do Grupo de Estudos em Educação, Cultura e Meio Ambiente (Geam) do Instituto de Ciências da Educação (Iced/UFPA). Além disso, tem como agentes promotores a Rede Brasileira de Educação Ambiental (Rebea), Rede Paraense de Educação Ambiental (Rede Paea) e a Rede Carajás de Educadores Ambientais.

 

Mais informações: educacaoambiental.net


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