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Água engarrafada custa até 2 mil vezes mais que água da torneira

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por Lydia Cintra 
 
Nada mais simples que comprar uma garrafinha de água em um supermercado, loja de conveniência, bar ou restaurante. Para a maior parte das pessoas, fazer isso é absolutamente inofensivo. Todos nós fomos acostumados a consumir água engarrafada (e sem culpa). Mas, vários movimentos que defendem o consumo de água da torneira mostram que os impactos do produto engarrafado no meio ambiente são grandes (e complexos).
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Em 2010, Annie Leonnard (que fez vídeo A História das Coisas e A História dos Cosméticos, sobre os quais falamos aqui e aqui), lançou uma explicação para o problema das garrafinhas de água – o filme A História da Água Engarrafada. A ativista conta como o processo de produção desse tipo de água impacta os recursos do planeta e porque a consumimos dessa forma. As empresas fabricantes, segundo ela, argumentam que apenas atendem a uma demanda do mercado. “Mas quem demandaria uma água menos sustentável, menos saborosa, um produto muito mais caro, especialmente aquela água que você pode pegar quase de graça na sua cozinha?”, indaga.

A impressão do consumidor

O consumo excessivo de água engarrafada começou quando os consumidores passaram a considerar a qualidade superior desse produto como uma verdade absoluta. “Uma das primeiras táticas de marketing foi assustar as pessoas sobre a água da torneira. Você faz com que elas se sintam apavoradas e inseguras caso não tenham o seu produto. É isso que a indústria de água engarrafada fez”, diz Annie.
Essa dinâmica do mercado resultou em números estrondosos: dados da Inside the Bottle mostram que 1/5 da população do Canadá e EUA bebe somente água em garrafa. Só os norte-americanos consomem meio milhão de unidades por semana – o suficiente para dar cinco voltas ao mundo. Consegue imaginar?
 
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Custos

Quando bebemos água na garrafinha, pagamos cerca de 2 mil vezes mais do que se consumíssemos pela torneira. Segundo a Bottled Water Blues, 90% do custo dessa água está na fabricação do rótulo, tampa e garrafa, que usam recursos como petróleo. “A cada ano, a fabricação das garrafas plásticas utilizadas para água engarrafada nos EUA requer uma quantidade de petróleo e energia suficiente para abastecer um milhão de carros”, mostra Annie.
Depois das etapas de produção, há o transporte do produto. Muita energia é gasta para fabricar embalagens resistentes para que a água possa “andar” por todo o planeta. Assim, uma garrafinha de água da França pode ser consumida aqui no Brasil. Depois do consumo, vem o descarte: 80% das garrafas acabam em aterros sanitários ou são incineradas. Mais lixo…
 
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No Brasil

Por aqui, o movimento Água na Jarra, da organização Igtiba, incentiva o consumo de água filtrada no lugar das garrafinhas em restaurantes, empresas, hotéis e eventos. Para participar, o estabelecimento se compromete a servir água em jarras e deve seguir algumas regras: usar água tratada fornecida pela concessionária pública da cidade, usar filtro purificador certificado pelo Inmetro, limpar periodicamente a caixa d´água e servir a água em recipientes reutilizáveis. O site mantém um guia de restaurantes que aderiram à iniciativa.

O foco do investimento

Em muitas cidades do mundo não é possível consumir água da torneira. Mesmo quando é, muita gente têm medo. É importante questionar o que está por trás dessa indústria e como o dinheiro é investido. Annie Leonard mostra o contraponto: “no mundo, bilhões de pessoas não tem acesso à água limpa e as cidades gastam milhões de dólares para lidar com todas as garrafas plásticas que descartamos. Como seria se nós gastássemos esse dinheiro melhorando nosso sistema de água ou prevenindo a poluição?”
 

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