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O mundo todo está errado

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561Enquanto governos, empresas e sociedade civil dizem querer o fim do desmatamento, Dilma parece não pensar do mesmo jeito

Nesta semana, iniciativas globais elevaram o tom da discussão em torno de aumentar a proteção das floretas. Em dois diferentes momentos, empresas e governos assinaram compromissos pedindo pelo fim do desmatamento. Ao mesmo tempo, no Brasil, uma pesquisa apontou que 90% dos brasileiros são contra a derrubada da Amazônia. E a lei de iniciativa popular pelo desmatamento zero já contabiliza mais de 1 milhão de assinaturas. Porém, para a presidente Dilma e o ex-ministro Roberto Rodrigues, um dos representantes do agronegócio nacional, o fim do desmatamento é “utópico” e “demagógico”. Para Rodrigues, desmatamento zero é “coisa errada”.

O mundo parece que não concorda. Na última quarta-feira, o fórum global conhecido como ‘Consumers Goods Forum’, que reúne 400 marcas globais, como L’Oreal, Proctor & Gamble e Unilever, se comprometeu a ajudar seus membros a alcançar a meta de ‘desmatamento zero líquido’ em suas cadeias produtivas até 2020. Tais compromissos precisam ser tratados com interesse e atenção. Uma vez traduzidos em realidade, eles têm a capacidade de impactar positivamente a proteção às florestas ao redor do globo. Mas é preciso monitorar essas ações. E é neste campo que algumas iniciativas já existentes, como a moratória da soja e acordos de não-desmatamento para óleo de palma, são determinantes.

No mesmo dia, na conferência da ONU, foi apresentada a declaração de Nova Iorque, documento que pede o fim do desmatamento em escala mundial. A declaração conta com 150 assinaturas, entre elas 32 países, 20 estados e outras 40 empresas de atuação global. Foi exatamente nesse evento que o governo brasileiro protagonizou cenas lamentáveis ao se negar a assiná-lo.

“A postura do Governo é tacanha. O Brasil detém mais de 30% das florestas tropicais do mundo e deveria, por conta disso, não apenas assinar, mas liderar a escrita desse texto, tentando deixá-lo mais ousado. Ao contrário disso, Dilma deu as costas para as florestas, assim como faz aqui no Brasil”, disse Marcio Astrini, do Greenpeace. “Pior, o governo foi aplaudido por parte do agronegócio brasileiro. Esse tipo de postura compromete a imagem do próprio setor agropecuário nacional, colocando nele o rótulo do atraso. Apequenaram nosso país”, completou.

Fazendo coro aos acordos mundiais, uma pesquisa divulgada no início da semana resume que, para os brasileiros, a Amazônia é muito valiosa e não deve ser desmatada. A pesquisa realizada com 2.000 pessoas é intitulada "Floresta Amazônica e Alterações Climáticas", feita pelo Instituto Análise e publicada no jornal Valor Econômico.

Quase por unanimidade, 90% dos entrevistados dizem que o desmatamento da Amazônia é ruim para o desenvolvimento do Brasil, pois reduzirá as chuvas e aumentará as temperaturas. A percepção dos brasileiros está alinhada com o que diz a ciência; é da Amazônia que vem a maior parte das chuvas que abastecem os reservatórios de água e as plantações de comida do sul e sudeste do país.

A pesquisa ainda mostra a opinião contrária dos entrevistados nos temas hidrelétricas na Amazônia, expansão da agricultura sobre florestas e código florestal.

De comum, os compromissos internacionais e a pesquisa sobre Amazônia nos revelam que a demanda global por produtos livres de desmatamento é crescente. E neste novo mundo, o Brasil poderia ser um exemplo de liderança. Temos potencial para sermos o maior produtor de alimentos e maior protetor de florestas do planeta, usando as áreas já abertas em nosso país, que oferecem espaço suficiente para dobrar a produção de alimentos sem desmatar.

Porém, a escolha de Dilma e de parte do Agronegócio é a de virar as costas para essa realidade. Ao negarem o fim do desmatamento, eles vão não apenas levar mais destruição às nossas florestas, mas também comprometer o futuro da própria agropecuária brasileira.

Mas, se depender de Dilma e do ex-ministro, o Brasil vai continuar olhando para o futuro pelo retrovisor.


Fonte: Greepeace Brasil.


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