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Ambientalista assassinado se reuniu com deputados pouco antes de crime

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O corpo de Ivo Barreto Filho foi enterrado no cemitério Jardim da Saudade, em Salvador

Encontro com Comissão do Meio Ambiente foi na Assembleia Legislativa. Empresário fez denúncias contra empresa que fabrica óxido no Litoral Norte.

A morte do empresário e ambientalista Ivo Barreto Filho, de 48 anos, assassinado no bairro de Nazaré, em Salvador, ocorreu quase cinco horas depois dele ter participado de uma reunião a convite da Comissão de Meio Ambiente, Seca e Recursos Hidricos, da Assembleia Legislativa da Bahia. O deputado Leur Lomanto Jr. (PMDB), presidente da comissão, explicou, em conversa na tarde desta quinta-feira (20), que ele fez denúncias sobre uma indústria que produz óxido de titânio no Litoral Norte. Foi aprovada a realização de uma audiência pública sobre o tema, ainda sem data definida.

"Ele apresentou uma pauta com perguntas para sejam esclarecidas questões como renovação ambiental, as condicionantes para a renovação da licença, denúncias de crimes ambientais. Ele tinha filmagens subaquáticas mostrando que o fundo do mar estaria comprometido e uma série de outras coisas", relatou o parlamentar sobre as acusações à empresa.

O encontro foi intermediado por Heraldo Rocha, vice-presidente estadual e presidente do diretório municipal do DEM. Segundo o ex-deputado, Ivo Filho entrou em contato com ele pelo Facebook. "Ele veio na minha casa, conversou comigo. Conheci ele como ambientalista e ele me disse que tinha esse estacionamento. Ele é um idealista. Tomei um choque com o assassinato, ele estava sempre muito tranquilo. Nunca fez queixa e nunca me pediu nada", afirmou.

Heraldo Rocha acompanhou o depoimento dele na Alba e conta que a denúncia feita na ocasião foi investigada pelo Ministério Público da Bahia, por meio do promotor de Justiça Luciano Pita. O MP-BA informou que Pita está de férias e só poderia comentar o assunto quando retomasse as atividades. "Ele [Ivo] me pegou em casa e fui com ele no carro, orientando como ele deveria falar na comissão. Disse que deveria implantar uma ONG e que ele centralizasse o relato na questão da empresa. Vou acompanhar até o fim esse processo", conta.

O sepultamento do empresário ocorreu no cemitério Jardim da Saudade. Três testemunhas já foram ouvidas pela delegada Mariana Ouias, destinada à investigar o caso pelo Departamento de Homicídios. De acordo com a delegada, ainda é cedo para precisar se foi latrocínio ou homicídio. Mais pessoas devem prestar depoimento. Imagens da câmera de segurança foram solicitadas para ajudar a localização do autor dos disparos.

O crime

"Estávamos eu, ele, a esposa dele e um funcionário sentados no estacionamento, quando ele pediu que eu fosse pegar a carteira dele no carro. Foi quando ouvi os disparos", relata Rodrigo Figueiredo, sobrinho de Ivo Filho.

Segundo o sobrinho da vítima, ele foi buscar o objeto no carro que estava estacionado em frente à residência da mãe do ambientalista, que fica na região de Nazaré. "Depois que ouvi os tiros, saí correndo para ver o que tinha acontecido e ele estava sentado, caído na cadeira e com vários disparos", relatou.

Rodrigo Figueiredo informou que o empresário chegou a ser levado para o Hospital Santa Izabel, na capital baiana, mas não resistiu aos ferimentos. A 2ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM) foi acionada, mas chegou ao local depois que o socorro já havia sido prestado pela família da vítima.

O sobrinho ainda relatou que os disparos foram efetuados por um homem que levou o celular do funcionário do estacionamento e alguns objetos da família. "Ele era uma pessoa do bem. Não fazia mal a ninguém e não tinha inimigos", disse. O ambientalista Ivo Barreto era casado e tinha uma filha de 15 anos, que mora com a mãe, ex-mulher do empresário.

A vítima

Ivo Barreto mantinha um site para denunciar crimes ambientais. Além das acusações sobre a empresa que estariam poluindo praias da Linha Verde, ele fez denúncias sobre a retirada de areia do Parque do Abaeté.

Amigos da vítima vinham alertando sobre a causa de Ivo, alegando que ele poderia correr riscos pelo trabalho desempenhado. “A gente dizia para ele que era muito perigoso o que ele fazia e pedíamos para ele se afastar, mas ele sempre dizia que não, que ele fazia o que ele gostava”, disse João Ferreira, um dos amigos do empresário e ambientalista.

Essa é a segunda vez que dona Beloína Couto, 73 anos, mãe de Ivo, perde um filho. “Ele era um menino bom, que amava as pessoas, amava os animais, os rios, os oceanos e as árvores. Ele queria melhorar os humanos, melhorar a terra”, disse a mãe da vítima.

 

Fonte: G1 Bahia / O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

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