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Meios de comunicação consumismo e - [Pag 7 - Ed 56]

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A mídia tende a enaltecer o elevado padrão de consumo da classe dominante, associando a isto a ideia de liberdade e de independência. Ou seja, difundindo o consumismo como uma “liberdade de escolha do indivíduo”. Com isso, gera-se uma alienação diante da mídia, ou seja, a mídia aliena as pessoas, porque se ergue acima e contra as pessoas, transformando o ser humano num ser embrutecido e alienado.
 
Com o avanço da tecnologia, os meios de comunicação social, vêem pro- duzindo grandes impactos na sociedade atual, impactos estes que cau- sam constante preocupação. Com suas estruturas tecnológicas os meios de comunicação impõem seu grande fluxo de mensagens ideológicas, cau- sando o conformismo e a manipulação das massas. Muitos meios de comu- nicação como se apresentam hoje, nada mais servem se não para mascarar a realidade e eternizar o seu estado presente. Além disso, “A objetividade nas relações humanas, que acaba com toda ornamentação ideológica en- tre os homens, tornou-se ela própria uma ideologia para tratar os homens como coisas” (ADORNO, 1993, p. 35). Infelizmente, os aparatos tecnológicos são feitos para não se pensar, mas apenas para operar e viver num ativismo no qual é impossível a autonomia e a emancipação.
 
O mercado atual vive das novas tendências dos produtos culturais. Muitas vezes somos como que impelidos pelas propagandas, pelas mensagens subli- minares que fazem de tudo para nos induzir ao consumo. Com isso, nos habi- tuamos “Em um mundo onde há muito os livros não têm mais o aspecto de livros, só o são aqueles que não o são mais” (ADORNO, 1993, p. 43). Se em termos de tecnologia nunca se ofereceu tanto, porém se refletiu tão pouco. Há grandes mudanças de valores entre as pessoas, em grande parte causados pela mídia.
 
É função da mídia tender a enaltecer o elevado padrão de consumo da clas- se dominante, associando a isto a ideia de liberdade e de independência. Ou seja, difundindo o consumismo como uma “liberdade de escolha do indiví- duo”. Além disso, a massificação e a coisificação dos indivíduos, tornam-se mais facilmente o processo de manipulação e dominação pela indústria cul- tural, transformando-os em verdadeiros consumidores desta indústria. Deten- do grande poder econômicos e tecnológicos os meios de comunicação social, controlam e interferem do mesmo modo na política, no processo sociocultural e na vida diária de todos os indivíduos. Como diz Adorno e Horkheimer, “As coi- sas chegaram ao ponto em que a mentira soa como verdade e a verdade como mentira. Cada declaração, cada notícia, cada pensamento está preformado pe- los centros da indústria cultural. O que não traz a marca familiar dessa prefor- mação está, de antemão, destituído de credibilidade (...)” (ADORNO, 1993, p. 94).
 
Ora, se a mídia se volta quase que exclusivamente para o lazer e o entrete- nimento é porque os meios de comunicação, sobretudo, a Televisão, têm a função de gerar uma atitude conformista e dócil nas pessoas. Infelizmente, os diversos veículos de comunicação são monopólios ideológicos regidos apenas pela lógica do negócio, com o intuito de dominar e domesticar as massas. Como escreve Adorno (1993, p. 94), “A verdade que tenta se opor a isso não só porta o caráter do inverossímil como é, além disso, pobre de- mais para entrar em concorrência com o aparato de divulgação altamente concentrado”. Desta maneira, é que acontece a regressão do pensamento, pois qualquer coisa que cause reflexão ou insatisfação é imediata- mente banida pela indústria cultural.
 
Por isso, não se pode negar a influência da mídia na sociedade, pelo contrário, esta influ- ência é patente, sobretudo, nos dias atuais. A mídia geralmente impõe o seu estereótipo de beleza, de educação, de cultura, de justiça etc. Essas influências da mídia são quase sempre negativas, pois muitos indivíduos se esforçam e se submetem para serem enquadrados nos padrões impostos pela indústria cultural. Com isso, gera-se uma alienação diante da mídia, ou seja, a mídia aliena as pessoas, porque se ergue acima e contra as pessoas, transforman- do o ser humano num ser embrutecido e alie- nado. Deste modo, vivemos um paradoxo em nossa época, por um lado à era da massifica- ção, por outro lado, o desenvolvimento tecno- lógico divide (separa) e individualiza as pes- soas. Até porque essa “igualdade”, essa cole- tivização e esse se sentir que parte do “todo” é uma imposição ideológica, pois as pessoas em sua essência não podem ser igualadas. Por conseguinte, na televisão e nos demais meios da mídia são passados sensacionalismos, di- versão sem conteúdos e sem profundidades. São veiculados entretenimentos que sucum- bem às formas legítimas de arte, de cultura e destroem o conhecimento e o desenvolvimen- to intelectual das pessoas. Pois a ideologia tira a crítica dos indivíduos levando-os a um esta- do de comodismo e passividade.
 

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