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Sustentabilidade é tema de debate no 35º Congresso de Jormalistas

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Publicado na Revista do Meio Ambiente - Edição 53 - Dezembro/2012
 
por Leandro Chaves
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Fotos: Diego Gurgel (Assessoria de Comunicação Setul)
 

Senador Jorge Viana e Foster Brown debateram sobre Desenvolvimento Sustentável na manhã de ontem

especial_111112_1.jpgFotos: Regiclay SaadyNo último dia do 35º Congresso Nacional dos Jornalistas, que este ano teve sede no Acre, os participantes tiveram a oportunidade de se aprofundar em um dos temas que tem pautado cada vez mais o jornalismo brasileiro: desenvolvimento sustentável. O painel “Sustentabilidade e Desenvolvimento da Amazônia”, que aconteceu na manhã de ontem no auditório da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Acre (Fecomercio/AC), teve como painelistas o senador Jorge Viana e o pesquisador da Universidade Federal do Acre (Ufac), Foster Brown.

O debate contava com a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva como debatedora, mas ela não compareceu devido a problemas de saúde, segundo a organização do evento.

Os dois participantes focaram seus discursos nos eventos climáticos extremos que os acreanos enfrentaram em 2005, com a falta de chuvas, e no início deste ano, com a cheia do rio Acre. Para eles, essas duas situações são respostas para as agressões ambientais provocadas pelo homem. OS DOIS participantes focaram seus discursos nos eventos climáticos extremos enfrentados pelos acreanos.

Causados pelo intenso calor e ausência de chuvas por mais de três meses, os incêndios florestais espontâneos ocorridos na Amazônia em 2005, por exemplo, desafiaram as autoridades e os estudiosos, que até então não tinham conhecimento da possibilidade de queimadas em florestas tropicais sem influência humana. Para Viana, este episódio “teve relação direta com a mudança que o clima está passando nos últimos anos”.

Segundo Brown, os incêndios da maior seca dos últimos 40 anos no Acre derrubaram entre 330 mil e 400 mil hectares de floresta no Estado. “Os efeitos também são sentidos nas aldeias indígenas, onde seus habitantes reclamam do forte calor, da seca dos rios e da baixa produtividade agrícola”, disse.

Neste ano, a mesma população que enfrentou uma de suas piores secas precisou abandonar suas casas alagadas pela maior cheia da história do rio Acre, que atingiu mais de 120 mil pessoas – só em Rio Branco 1,7 mil famílias tiveram de deixar suas casas. Os prejuízos, segundo o pesquisador da Ufac, foi e mais de R$ 200 milhões para os oito municípios atingidos pela enchente. De 2009 para cá, a capital acreana já gastou aproximadamente R$ 45 milhões com a cheia do manancial.

“Sempre vai acontecer desastres naturais. A resposta da sociedade é que pode ser diferente”, afirmou Brown.

Sustentabilidade e comunicação

Durante o debate, o senador Jorge Viana ressaltou a importância dos meios de comunicação na veiculação de informações sobre sustentabilidade. De acordo com ele, a sociedade precisa de mais jornalistas que conheçam a fundo o termo para cobrar coerência nas práticas ditas sustentáveis.

“É necessário o repórter ter o senso crítico apurado. Hoje as palavras ‘sustentabilidade’ e ‘sustentável’ estão presentes nos discursos de muita gente. Quem não pensa ou trabalha a sustentabilidade está fora do contexto. Mas, às vezes, existe diferença entre o que se prega e o que se pratica”.

especial_111112_2.jpg“QUEM não pensa ou trabalha a sustentabilidade está fora do contexto”, afirmou o senador Jorge Viana“QUEM não pensa ou trabalha a sustentabilidade
está fora do contexto”, afirmou o senador Jorge Viana

Ainda segundo Viana, o tema não é tratado como deveria pelos jornais formais. A saída é “inserir o assunto na vida dos jornalistas. Precisamos que a imprensa seja mais conhecedora do assunto do que o entrevistado”, argumenta.

Ele citou o jornal O Varadouro, que circulou no Acre durante a Ditadura Militar, como exemplo de influência jornalística para a mudança de uma realidade. O veículo, criado pelos jornalistas Elson Martins e Silvio Martinello, desafiava as autoridades públicas do Estado ao defender explicitamente as comunidades mais excluídas do Acre, como os índios e os seringueiros, além de lutar pelo fim do desmatamento da floresta que abrigava essas populações.

Prêmio Chalub Leite encerra congresso

O último dia do 35º Congresso Nacional dos Jornalistas também foi marcado pela entrega do 13º Prêmio José Chalub Leite para os profissionais da imprensa acreana. A solenidade aconteceu no Maison Borges.

especial_111112_3.jpg“O CONGRESSO fez história porque, pela primeira vez, mudou seu tema ao se pautar pelo meio ambiente”, disse a presidente do SinjacAntes, no auditório da Fecomercio/AC, aconteceu o ato de lançamento do relatório da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), “Violência e Liberdade de Imprensa no Brasil – 2011”, e da Comissão Nacional “Memória, Verdade e Justiça”. Participaram o presidente do órgão, Celso Schröder; o assessor especial da Secretaria de Direito Humanos da Presidência da República e coordenador do Projeto Direito à Memória e à Verdade, Gilney Viana; e a diretora do Departamento de Relações Institucionais da Fenaj Beth Costa.

“O CONGRESSO fez história porque, pela primeira vez, mudou seu tema ao se pautar pelo meio ambiente”,
disse a presidente do Sinjac

Em seguida, Vilmar Berna, da Rede Brasileira de Informação Ambiental (Rebia) e Juarez Tosi, da Ecoagência Solidária e Notícias Ambientais, falaram sobre jornalismo ambiental e as diversidades ambientais no Brasil na última roda de conversa do evento.

Para a presidente do Sindicato dos Jornalistas do Acre (Sinjac), Jane Vasconcelos, o congresso no Acre fez história porque, pela primeira vez, mudou seu tema ao se pautar pelo meio ambiente. “A temática tratada pelo evento é extremamente necessária para os formadores de opinião. Ainda mais porque é isso que a sociedade espera de nós, jornalistas, nestes tempos em que o termo sustentabilidade se popularizou”, disse.

“A realização desse congresso no Acre foi um marco para a Fenaj. Incorporamos a sustentabilidade na nossa plataforma de debate. As discussões sobre esse assunto não são naturais, elas precisam de um indutor e esse foi o nosso papel”, concluiu Beth Costa, que também é Secretária Executiva da Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ).
Fonte: Pagina20

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