vilmar berna

VILMAR SIDNEI DEMAMAM BERNA - Escritor e jornalista, fundou a Rebia - Rede Brasileira de informação Ambiental (rebia.org.br), e edita deste janeiro de 1996 a Revista do Meio Ambiente (que substituiu o Jornal do Meio Ambiente), e o Portal do Meio Ambiente (portaldomeioambiente.org.br). Em 1999, recebeu no Japão o Prêmio Global 500 da Onu para o Meio Ambiente e, em 2003, o Prêmio verde das Américas. www.escritorvilmarberna.com.br

Imprimir

Quem faz política pública são os governos. O mercado apenas aproveita as oportunidades

. Acessos: 807

595A garantia do financiamento da informação socioambiental – para que chegue ao público (que precisa dessa informação, mas que nem sempre está disposto a pagar por ela) –, é dever do Estado, e não uma questão puramente de mercado

Por Vilmar Berna*

Para que a sociedade possa mudar para um novo padrão de desenvolvimento, denominado “desenvolvimento sustentável”, é preciso informação socioambiental de qualidade, o que não está ocorrendo hoje no Brasil. A mídia ambiental sofre verdadeiro boicote econômico de acesso às fontes de fi nanciamento públicos e privados.

Quem deve fi nanciar a mídia ambiental? 179 países participantes da Rio 92, de uma certa forma responderam a esta pergunta no capítulo 40.26 da Agenda 21 Global: “(...) sempre que existam impedimentos econômicos ou de outro tipo que difi cultem a oferta de informação e o acesso a ela, particularmente nos países em desenvolvimento, deve-se considerar a criação de esquemas inovadores para subsidiar o acesso a essa informação ou para eliminar os impedimentos não econômicos.”

É preciso não confundir quantidade de informação com qualidade. Falsas informações, informações tendenciosas, informações pela metade também são informações. Com a internet e as novas tecnologias de celulares, existe uma grande oferta de informações, mas qual é realmente relevante, qual é verdadeira, qual revela o que está por detrás dos fatos? Os jornalistas ambientais se tornam cada vez mais necessários diante dessa verdadeira poluição da informação, pois costuma ir além das aparências, da superfície, procura ler nas entrelinhas, separar os fatos dos boatos, e mais, confrontar poderosos e poluidores, dar voz aos cidadãos e organizações ambientalistas, fortalecendo suas lutas e seu papel de fermento da massa e de agentes da mudança.

Com a ausência de políticas públicas que assegurem o fi nanciamento, a mídia ambiental precisa concorrer numa luta desigual no mercado com as mídias de entreterimento, onde o que conta é o custo por mil, sem analisar o conteúdo. Uma forma deliberada de bloqueio econômico, uma clara tentativa de calar uma mídia que incomoda, que reclama, que denuncia um modelo de desenvolvimento predatório e injusto.

O grande perdedor é o público, pois a menos que (as notícias socioambientais e os resultados de investigação e pesquisa ambiental) sejam lidos, não podem afetar de forma séria o pensamento e a ação de membros do público, acabando por se restringirem aos nichos ambientalistas e a uns poucos intelectuais. O filósofo John Dewey defende que “um público bem-informado é sine qua non para a participação democrática. A disseminação da informação, incluindo a informação científi ca, é essencial para a construção da democracia”.


ALERJ

DMC Firewall is a Joomla Security extension!