vilmar berna

VILMAR SIDNEI DEMAMAM BERNA - Escritor e jornalista, fundou a Rebia - Rede Brasileira de informação Ambiental (rebia.org.br), e edita deste janeiro de 1996 a Revista do Meio Ambiente (que substituiu o Jornal do Meio Ambiente), e o Portal do Meio Ambiente (portaldomeioambiente.org.br). Em 1999, recebeu no Japão o Prêmio Global 500 da Onu para o Meio Ambiente e, em 2003, o Prêmio verde das Américas. www.escritorvilmarberna.com.br

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O poder da minoria

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Se você está tendo acesso à mídia ambiental, se está lendo este texto, provavelmente não precisa deles

por VILMAR SIDNEI DEMAMAM BERNA*


544bÉ paradoxal, mas você deve fazer parte da pequena minoria dos que já estão convencidos dos problemas socioambientais, e informações que terá acesso aqui, apenas deverão aumentar ainda mais sua angústia, ansiedade, sentimento de impotência e de urgência diante do colapso socioambiental civilizatório. Este é um dos dramas das minorias. Apesar do acesso ao conhecimento, não conseguem promover as mudanças necessárias na velocidade que o problema denunciado requer.

O que coloca essas minorias na incômoda posição de inventariantes do desastre anunciado, uma espécie de Profetas do Apocalipse. A maioria da população ou não tem acesso a este tipo de informação, ou, quando tem, prefere não querer saber.

Verdade verdadeira, os problemas socioambientais não são provocados por falta de tecnologias, inteligência, ou mesmo por falta de informação. O problema é ético, fi losófi co e espiritual. Está em nossa visão de mundo, em nossos sonhos e ideais, em nossos valores.

Enquanto espécie, temos a falsa ideia de que somos mais importantes, mais especiais do que as demais, e isso tem defi nido nossas escolhas – nosso pensamento e comportamento – desde quando deixamos a África em busca de novos ecossistemas para explorar, depois de termos explorado o ecossistema anterior. Antes, este era um processo artesanal, e depois principalmente da Revolução Industrial, a pouco mais de dois séculos, este processo de tomada de recursos e de transformação da natureza ganhou escala industrial. Pela lógica desde sistema de crescimento crescente e ilimitado, a ideia é ‘ganhar escala’. Quanto maior a pegada dos recursos naturais, menor o preço ao consumidor fi nal, menores os custos, maiores o lucros.

E não será por informações e imagens da destruição ambiental que esta ideia cederá lugar a outra. As pessoas só se deixam convencer do que querem ser convencidas, no fundo, do que já estão convencidas. A verdade sobre a destruição ambiental é substuída por mentiras confortáveis.

Funciona para a maioria, mas não para uma minoria, esta, da qual você faz parte, ou não estaria aqui, a este ponto da leitura. Na verdade, a mudança para a sustentabilidade precisa, depende dessa minoria que quer saber a verdade, especialmente a que exerce sua cidadania ambiental ativamente. E é dessa minoria que os poderosos tem medo. Não da maioria que – ainda que reclamando – segue de cabeça baixa para o matadouro, aceitando as mentiras confortáveis e evitando as verdades incômodas.

Precisamos reconhecer que a ideia de um desenvolvimento sustentável começa a ganhar espaço, mais em alguns países, menos em outros. Entretanto, grosso modo, para a maioria, nossas escolhas ainda não são muito direfentes dos nossos primeiros antepassados, caçadores-coletores, que após explorarem uma área migravam para outra preservada e seguiam queimando, destruindo, matando. O problema agora é que já ocupamos praticamente o Planeta inteiro, e já não temos mais para onde ir, não existe um segundo Planeta de recursos naturais para explorarmos. Não existe plano B.


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