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VILMAR SIDNEI DEMAMAM BERNA - Escritor e jornalista, fundou a Rebia - Rede Brasileira de informação Ambiental (rebia.org.br), e edita deste janeiro de 1996 a Revista do Meio Ambiente (que substituiu o Jornal do Meio Ambiente), e o Portal do Meio Ambiente (portaldomeioambiente.org.br). Em 1999, recebeu no Japão o Prêmio Global 500 da Onu para o Meio Ambiente e, em 2003, o Prêmio verde das Américas. www.escritorvilmarberna.com.br

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A natureza cria os prazeres e nós os excessos - [Pag 4 - Ed 55]

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Editorial
Por Vilmar S. D. Berna

Não eduque seu filho para ser rico, eduque-o para ser feliz. Assim ele saberá o valor das coisas e não o seu preço.

Consumir é a nossa natureza. Fazemos isso do berço ao túmulo. E também não há nada de errado em querer prosperar, melhorar de vida, mais energia para ter mais conforto e qualidade de vida. Mais que um direito, é um dever lutar por isso, por nós, pelos que dependem de nós, pelos que virão depois de nós.

Como sempre, o problema não está em usar, está em abusar. O problema está no desequilíbrio, no desperdício, na obsolescência planejada, sinais de uma sociedade que anda muito doente. A diabetes, a obesidade mórbida, a hipertensão, o estresse, a depressão tomaram dimensão de epidemia.

55 pag4 editorial

Entre as causas de nossa crise civilizatória, está o consumismo, que tem nos levado a comer demais, viver depressa demais, acumular demais, tudo muito, tudo rápido, aqui, agora, embalados por uma máquina de propaganda que estimula o consumismo desde a mais tenra infância, e pelo crédito fácil, que empenha hoje o salário de amanhã, como se amanhã ou fôssemos ganhar aumento, ou não teríamos necessidades como as de hoje. Entre os efeitos desta lógica irracional e irresponsável está a escravização ao trabalho para pagar dívidas crescentes, e sobra cada vez menos tempo para cultivar uma amizade, um amor, uma arte, ou ficar à toa mesmo, por que o ócio também faz parte da vida, passear com a família, praticar um hobby ou esporte, dedicar-se à cidadania e ao voluntariado nas causas em que acreditamos.

A educação de nossas crianças, por sua vez, acaba negligenciada por pais que precisam sair cedo para trabalhar muito e voltar tarde. Quem de fato acaba responsável pela educação das novas gerações, ou são avós, da geração passada, ou empregadas domésticas sem qualificação, ou pior, deixadas sozinhas aos cuidados da babá-televisão ou babávideogame. Para aliviar a culpa dos pais, mais consumo. Na impossibilidade de tempo para abrir os corações, abrem as carteiras. O afeto é medido pelo tamanho e preço dos presentes, ensinando uma nova geração de consumidores compulsivos e irresponsáveis, que imaginam ser possível trocar afeto, amor, felicidade por bens materiais.

A boa notícia é que parece que a sociedade já reconheceu a doença, e a má, é que em vez de atacar as causas, podemos estar perdendo tempo com os efeitos. Não que não seja importante atuar também sobre os efeitos, mas se não combatermos as causas, os efeitos tenderão a continuar voltando e até piorando a doença. Precisamos atentar para o fato de que o planeta é um só e é finito. Tudo o que pudermos fazer terá de ser aqui, de preferência agora, e por nós, já que não existe salvador da pátria capaz de nos salvar de nós mesmos.

* Vilmar é escritor e jornalista, fundou a Rebia - Rede Brasileira de Informação Ambiental (rebia.org.br), e edita deste janeiro de 1996 a Revista do Meio Ambiente (que substituiu o Jornal do Meio Ambiente), e o Portal do Meio Ambiente (portaldomeioambiente.org.br). Em 1999, recebeu no Japão o Prêmio Global 500 da ONU para o Meio Ambiente e, em 2003, o Prêmio Verde das Américas.

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