vilmar berna

VILMAR SIDNEI DEMAMAM BERNA - Escritor e jornalista, fundou a Rebia - Rede Brasileira de informação Ambiental (rebia.org.br), e edita deste janeiro de 1996 a Revista do Meio Ambiente (que substituiu o Jornal do Meio Ambiente), e o Portal do Meio Ambiente (portaldomeioambiente.org.br). Em 1999, recebeu no Japão o Prêmio Global 500 da Onu para o Meio Ambiente e, em 2003, o Prêmio verde das Américas. www.escritorvilmarberna.com.br

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Nossas cidades estão doentes, e produzindo pessoas doentes.

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Muitos sequer começarão a ler este texto, outros irão parar pelo caminho. É um risco que temos de correr diante dos que escolhem não querer saber, talvez uma tentativa de não sofrer. Não se pode condenar quem tenta evitar a dor. Entretanto, o custo pode ser enorme com o agravamento dos sintomas e das consequências, além de nos tornar insensíveis, embrutecidos, alienados. Ignorar a doença não nos livra dos sintomas e das consequências.

 

Não querer saber não deveria ser uma opção, mas a desinformação, a oferta de informação mentirosa ou maquiada, ou que aliena, não resultam do acaso. Não é por acaso que poucas famílias no Brasil e em redor do mundo são donas dos maiores e principais veículos de comunicação, as mesmas famílias que são donas de várias empresas e nichos de poder econômico e político.

O que pode fazer a Medicina, por exemplo, por um diabético que escolhe continuar ingerindo açúcar, um obeso que escolhe continuar ingerindo gorduras, um ansioso que não se afasta do que lhe causa ansiedades? Pouco, a não ser receitar medicamentos para aliviar os sintomas, enquanto as doenças tendem em se agravar.

Nossas sociedades, nossas cidades também adoecem e nos adoecem. Por exemplo, não nascemos para viver escravizados, mas como nos libertar se sequer nos percebemos escravos? O consumo é bom e desejável, mas a sociedade de consumo precisava ir além, precisava estimular esse consumo até não mais poder a fim de gerar lucros crescentes e desmedidos, criando a obsolescência planejada, montanhas de lixo e desperdício. Nossa sociedade de consumo criou uma nova legião de escravos, que exibem seus objetos de consumo como indicadores de inserção social, de sucesso e felicidade, e sequer se dão conta do quando perderam a liberdade, acorrentados a suaves prestações e à necessidade de trabalhar incessantemente para produzir numa ponta e consumir incessantemente na outra.

A desigualdade social, a pobreza, a degradação ambiental, a violência são condenadas por todos numa sociedade que adoeceu, entretanto, como continuar explorando e usando o Planeta além de seus limites? Só se houver desigualdade socioeconômica, onde enquanto uns poucos tiram demais para acumular e desperdiçar, outros tiram de menos. Estamos mais ou menos como aquele suicida que pula do 15º andar, e ao passar voando pelo sétimo, rumo ao chão, pensa: “ate aqui, tudo bem!” Nossa sociedade está num vôo cego e suicida rumo ao colapso socioambiental já anunciado.

O meio ambiente não é tudo o que existe a nossa volta. O meio ambiente também somos nós! O que afeta o ambiente, nossas cidades onde vivemos, a maneira como nos organizamos em sociedade, também nos afeta. Por exemplo, não nascemos para viver enclausurados em caixas de concreto cada vez menores que chamamos de apartamentos; ou para perder horas e horas preciosas de vida entre a casa-trabalho-casa em transportes públicos de péssima qualidade, lotados, em ruas cada vez mais engarrafadas e poluídas.

A violência nos agride tanto física quanto psicologicamente, gerando perdas de vida e de patrimônio, mas também de paz de espírito, gerando em nós medo generalizado e insegurança. Por exemplo, que sociedade é essa que teme suas próprias crianças, símbolo de nosso futuro, ao pararmos num sinal de trânsito, por exemplo?

Não me preocupo com quem conseguiu chegar até aqui na leitura. Na verdade, é por causa desses que ainda perco o meu tempo, energia e algum talento em escrever. Eles conseguem me manter com esperanças. O que me preocupa são os que ficaram pelo caminho, ou nem se dispuseram a começar.

ALERJ

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