vilmar berna

VILMAR SIDNEI DEMAMAM BERNA - Escritor e jornalista, fundou a Rebia - Rede Brasileira de informação Ambiental (rebia.org.br), e edita deste janeiro de 1996 a Revista do Meio Ambiente (que substituiu o Jornal do Meio Ambiente), e o Portal do Meio Ambiente (portaldomeioambiente.org.br). Em 1999, recebeu no Japão o Prêmio Global 500 da Onu para o Meio Ambiente e, em 2003, o Prêmio verde das Américas. www.escritorvilmarberna.com.br

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O grito das ruas, a corrupção e o meio ambiente

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A corrupção e a questão ambiental estão intimamente entrelaçadas. O dinheiro que seria para o saneamento básico é desviado, ao mesmo tempo em que as fábricas poluem, porém não são punidas. E o que a mídia cobre a respeito disso?

Os protestos que tomaram as ruas do Brasil, em junho, refletem a insatisfação e o "cansaço" dos brasileiros com a corrupção. Para cada 4 em 5 brasileiros, partidos são corruptos. A organização Transparência Internacional considera que a mudança climática, as florestas e a água são tópicos cruciais para detectar casos de corrupção, sobretudo em países em desenvolvimento onde os recursos naturais são abundantes e os econômicos escassos.

Na avaliação de Alejandro Salas, Diretor Regional das Américas da TI, "ter a corrupção como um dos focos das manifestações foi importante porque mostra como as pessoas estão tomando consciência sobre como isso afeta diretamente a qualidade de suas vidas". Segundo o estudo Barômetro da Corrupção Global 2013, 80% dos brasileiros acreditam que o cidadão comum pode agir no combate à corrupção. "Os protestos evidenciaram que as pessoas estão de fato agindo e não apenas falando", diz ele. A pesquisa ouviu 114 mil pessoas em 107 países entre setembro de 2012 e março de 2013, e mostra que, na percepção de 72% dos brasileiros, após os partidos, o Congresso é a instituição mais corrupta, seguido pela polícia (70%), serviços médicos e de saúde (55%) e pelo Judiciário (50%). Ainda segundo o relatório, cinco em cada dez dos 2.002 brasileiros entrevistados opinam que a corrupção aumentou no país nos últimos dois anos, resultado idêntico à média global. E para 56%, o governo é "ineficiente ou muito ineficiente" no combate à corrupção. "O (julgamento do) Mensalão no ano passado foi um bom começo, mas mostra que as entidades no Brasil têm um grande trabalho pela frente para recuperar a confiança da população brasileira", afirma Salas.

A colunista Sonia Racy, do jornal Estado de S.Paulo, reproduziu pesquisa da ONG Global Financial Integrity, divulgada pelo “El Pais”, da Espanha. No ranking dos países que mais apresentaram evasão de recursos, o Brasil figura no 21º lugar, com perdas de US$ 35 bilhões por conta das ações de corrupção. No mundo, entre 2001 e 2010, a corrupção provocou perdas de cerca de RS$ 5,8 trilhões em transações ilícitas, de acordo com a pesquisa, organizada pelo ex-economista do FMI, Dev Kar, o que, traduzindo em bom português, significa prejuízo para a maioria da população, principalmente os mais pobres, para o meio ambiente e o desenvolvimento do país. Significa o desvio recursos que poderiam ou deveriam ser aplicados em saneamento básico, recuperação ambiental de áreas degradadas, macrodrenagem, reflorestamento, saúde, educação, melhoria dos transportes coletivos, habitação popular, etc.

De acordo com a mais recente pesquisa da ONG Transparência Brasil, metade das empresas consultadas já foi vítima de achaques. Nos setores mais afetados, as propinas consomem até 10% da receita anual e fazem a economia do país deixar de crescer 2 pontos percentuais todos os anos. Enquanto numa ponta, a dos corruptores, 25% das companhias têm despesas de até 10% de suas receitas com subornos, na outra, a dos corruptos, 50% dos empresários pesquisados já foram achacados por fiscais tributários. Resultado, 21% das empresas aceitam o pagamento de subornos para conseguir favores.

A falta de democratização da informação e de transparência nas decisões (do governo em todos os níveis, do Judiciário, do Legislativo, etc.), associadas à impunidade dos crimes de colarinho-branco, incentivam ainda mais a corrupção. No artigo “Meio ambiente e corrupção: uma possível explicação para o noticiário ambiental” (http://www.intercom.org.br/papers/regionais/sul2008/resumos/R10-0426-1.pdf ) Larissa Bortoluzzi e Cláudia Herte analisam esta questão realizando um breve passeio por diferentes meios de comunicação, como a revista Super Interessante, as notícias e informações do site da Organização Não-Governamental Greenpeace, os sites especializados e os programas da Rede Globo, Jornal Nacional e Fantástico. Concluem que muitas vezes, a mídia apenas informa as pessoas. Porém para contribuir com o meio ambiente é preciso promover a conscientização. As autoras afirmam que a corrupção está intimamente unida com a política e argumentam: Quantas fábricas poluem mais do que deveriam, e não há fiscalização? A falta de fiscalização depende de políticos capacitados para defender algo que é um bem comum. Para que as pessoas possam cobrar o bem comum na atuação dos governos, a comunicação é fator essencial neste processo social.

vilmar* Vilmar Sidnei Demamam Berna é escritor e jornalista, fundou a REBIA - Rede Brasileira de Informação Ambiental  e edita deste janeiro de 1996 a Revista do Meio Ambiente (que substituiu o Jornal do Meio Ambiente) e o Portal do Meio Ambiente. Em 1999, recebeu no Japão o Prêmio Global 500 da ONU Para o Meio Ambiente e, em 2003, o Prêmio Verde das Américas – www.escritorvilmarberna.com.br

 

 

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