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Um “pálido ponto azul”

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164“(…) um pontinho solitário na grande escuridão cósmica circundante. Para mim, ela sublinha a responsabilidade de nos relacionarmos mais bondosamente e com compaixão uns com os outros, e de preservar e valorizar este pálido ponto azul, o único lar que já conhecemos”

Olhem de novo para esse ponto. Isso é a nossa casa, isso somos nós. Nele, todos a quem ama, todos a quem conhece, qualquer um dos que escutamos falar, cada ser humano que existiu, viveu a sua vida aqui. O agregado da nossa alegria e nosso sofrimento, milhares de religiões autênticas, ideologias e doutrinas econômicas, cada caçador e colheitador, cada herói e covarde, cada criador e destruidor de civilização, cada rei e camponês, cada casal de namorados, cada mãe e pai, criança cheia de esperança, inventor e explorador, cada mestre de ética, cada político corrupto, cada superestrela, cada líder supremo, cada santo e pecador na história da nossa espécie viveu aí, num grão de pó suspenso num raio de sol.

A Terra é um cenário muito pequeno numa vasta arena cósmica. Pensai nos rios de sangue derramados por todos aqueles generais e imperadores, para que, na sua glória e triunfo, vieram eles ser amos momentâneos duma fração desse ponto. Pensai nas crueldades sem fim infligidas pelos moradores dum canto deste pixel aos quase indistinguíveis moradores dalgum outro canto, quão frequentes as suas incompreensões, quão ávidos de se matar uns aos outros, quão veementes os seus ódios.

As nossas exageradas atitudes, a nossa suposta auto-importância, a ilusão de termos qualquer posição de privilégio no Universo, são reptadas por este pontinho de luz frouxa. O nosso planeta é um grão solitário na grande e envolvente escuridão cósmica.

Na nossa obscuridade, em toda esta vastidão, não há indícios de que vá chegar ajuda de algures para nos salvar de nós próprios.
A Terra é o único mundo conhecido, até hoje, que alberga a vida. Não há mais algum, pelo menos no próximo futuro, onde a nossa espécie puder emigrar. Visitar, pôde. Assentar-se, ainda não. Gostarmos ou não, por enquanto, a Terra é onde temos de ficar.

Tem-se falado da astronomia como uma experiência criadora de firmeza e humildade. Não há, talvez, melhor demonstração das tolas e vãs soberbas humanas do que esta distante imagem do nosso miúdo mundo. Para mim, acentua a nossa responsabilidade para nos portar mais amavelmente uns para com os outros, e para protegermos e acarinharmos o ponto azul pálido, o único lar que tenhamos conhecido.

Fotos da Terra vista de Saturno e de Mercúrio dão nova perspectiva sobre o planeta

164bTerra fotografada pelas sonda Cassini (em Saturn0, acima) e Messenger (Mercúrio)Qual o significado dessas fotos para nós? Para o autor Tariq Malik, editor do site Space.com, as imagens representam primeiro uma maravilha tecnológica, já que coordenar duas espaçonaves diferentes em órbita em dois planetas diferentes, controladas por duas equipes diferentes, para fotografar um terceiro planeta entre elas não é muito fácil.

Em segundo, as imagens mostram claramente o que a Nasa pretendia – o lugar exato da Terra no universo.

Você e todo mundo que você conhece ou já conheceu vive em uma minúscula ilha em um planeta no vasto oceano do universo. Como o inventor do motor de dobra de “Jornada nas Estrelas”, Zephram Cochrnae, explicou depois de ver a Terra do espaço profundo, ela “é tão pequena”. E é lá onde nós vivemos, em um “pálido ponto azul”, como descreveu o astrônomo Carl Sagan.

A imagem feita de Saturno só foi possível porque o sol está oculto pelo planeta gigante, do ponto de vista da espaçonave.

De outra forma, não seria possível registrá-la, já que a Terra seria ofuscada pelo brilho do astro-rei, que inclusive poderia danificar os sensores da Cassini.

 

Fonte: http://hypescience .com

 

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