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Vitae Civilis retira-se da CoP19

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Hoje é um dia muito triste para nós, do Vitae Civilis. Temos acompanhado a questão climática há 24 anos. Participamos de Conferências das Partes da UNFCCC desde sua segunda edição. E nunca antes tivemos que chegar ao ponto de abandonar uma CoP. Até hoje.

Desde que a UNFCCC anunciou a Polônia como anfitrião da CoP19 que tínhamos sérias preocupações com a condução dos trabalhos pois sabemos da importância estratégica das crenças e posturas da presidência do encontro para seu sucesso. Já havíamos testemunhado o fracasso da CoP15 por conta da inabilidade da Dinamarca. E sabíamos dos profundos compromissos do governo polonês com a indústria do carvão.

O que encontramos aqui superou nossas piores expectativas. Dia após dia a expressão “não pode ficar pior” fazia menos sentido. É certo que sempre há um alto grau de dificuldades nos dias que antecedem o fechamento de uma CoP, pois muitas dificuldades são criadas com o intuito de negociar facilidades. Mas desta vez já podemos antever que qualquer resultado que venha a ser alcançado ficará aquém do que precisamos.

Perdemos uma CoP. Perdemos duas valiosas semanas de negociação. Perdemos a chance de avançar no crucial financiamento necessário às ações de adaptação e mitigação que se fazem necessárias para que possamos, a partir de 2020, caminhar juntos no combate às mudanças climáticas. Enquanto no noticiário vemos os países enviando ajuda humanitária às Filipinas, na CoP19 eles travam os mecanismos de ajuda e os fundos que podem ajudar a adaptação dos países mais vulneráveis. Não houve qualquer aumento de ambição para a redução nas emissões, nem um maior apoio para a adaptação antes de 2020, nem um caminho claro para um acordo abrangente e justo em Paris 2015. Está claro que se os países continuarem agindo dessa forma, não será possível entregar a ação climática que o mundo precisa desesperadamente nos próximos dois dias de negociações,

Estamos testemunhando graves ataques ao sistema multilateral de negociações em prol de esquemas bilaterais de efetividade duvidosa para o planeta como um todo e, principalmente, para os mais vulneráveis. As ações de muitos países ricos aqui em Varsóvia estão minando diretamente a própria UNFCCC, que é um importante processo multilateral e que precisa ser preservado, fortalecido e bem sucedido em seus esforços para resolver a crise climática global.

Ao invés de representarem seus povos, estamos vendo inúmeras delegações representarem setores específicos da economia. A Conferência de Varsóvia colocou os interesses das indústrias de energia suja acima dos interesses dos cidadãos. Os patrocínios corporativos, a realização simultânea do encontro global da indústria do carvão e uma presidência dividida entre este último e o gás de xisto são evidências suficientes de que esta conferência não nos representa.

O que não podemos aceitar nem aqui, nem em qualquer outra CoP, são formalismos que não resultam em nada. Negociações são necessárias, porém elas não são um fim em si: nunca podemos perder o foco nas ações. Por isso, o Vitae Civilis retira-se da CoP19, mas não da UNFCCC, nem do processo multilateral no qual acreditamos e queremos fortalecer. Nós nos retiramos junto com outras organizações da sociedade civil de todo o mundo porque entendemos que esta medida extrema é necessária para acordar aqueles que estão na condução deste processo e também aqueles que dele participam diretamente. Vamos continuar, do lado de fora, acompanhando os acontecimentos. Vamos continuar em Lima – e até Lima!

Permanecemos à disposição de todos os que vem de boa vontade e boa fé para tentar combater efetivamente as mudanças climáticas.

 

Fonte: Vitae Civilis.


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