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Feriado triste pra cachorro - [Pag 18 - Ed 56]

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Donos mantém túmulos dos bichos de estimação sempre bem cuidados, no cemitério de Marambaia, no Rio

O Dia dos Finados lota os cemitérios, hoje, de parentes que visitam e prestam homenagens aos entes queridos. Não é diferente quando o ‘ente’ querido que se perde é um bicho de estimação. Durante todo o ano, mas principalmente nessa data, o Cemitério de Cães de Maram- baia, que fica na Rodovia Amaral Peixoto, 740, Km 20, recebe visitantes saudosos de seu “companheiro” animal. Apesar da maioria dos animais enterrados ser cães, o cemitério recebe também outros animais domés- ticos como gatos, tartarugas e aves.

São cerca de 15 sepultamentos por mês. Conforme a administração, no Dia dos Finados o cemitério está sempre cheio e eles recebem até 80 famílias visitando o túmulo de seu animal. Um crematório está prestes a ser inau- gurado no local para atender o desejo de alguns donos, mas os números do cemitério mostram que 70% dos clientes escolhem o sepultamento.

“A maioria prefere o sepultamento, pois querem acompanhar a cerimô- nia, além de poder voltar depois para visitar”, explicou uma das donas, Rosana Caminha.

Os túmulos são comprados por um ano com direito a renovação. Após esse período, se o dono do animal não quiser renovar, os restos mortais são exumados e levados à cremação. Há clientes com mais de 20 anos, segundo Juliana Caminha, a outra proprietária do cemitério. Ela contou que as pes- soas costumam comprar o túmulo e, por vezes, enterrar mais de um bicho de estimação durante a vida.

Por todo o cemitério é possível ver flores sobre os túmulos – algumas re- centes –, brinquedos típicos de cães, como bolinhas e bichinhos de pelúcia, e muitas palavras de afeto escritas nas lápides por parte dos donos. As do- nas do cemitério contam que, na maioria das vezes, os clientes são pesso- as idosas e sozinhas, no qual o único “parente” é o animal de estimação. “Já enterramos um cachorro aqui que estava na família há 17 anos. Veio de criança a idoso ao enterro do animal. Todos comovidos”, lembrou Juliana.

Locado em um antigo pensionato para idosos, para onde a renda dos se- pultamentos era revertida, o Cemitério de Cães foi idealizado pelo pai de Juliana, Carlos Barreto Caminha, que teve a iniciativa, pois adorava animais e não encontrava lugar para eles depois da morte. Após o falecimento do pai, Juliana e a cunhada Rosana começaram a administrar o local. Criado em 1974, o Cemitério de Cães de Marambaia foi o primeiro cemitério desse tipo no estado do Rio de Janeiro.

O coveiro – que se identificou apenas como José, 76 – trabalha no cemité- rio, há 38, desde que foi inaugurado, e disse que as pessoas choram muito a morte desses “amigos”. Depois de tanto tempo no serviço, ele contou que não se comove mais como antes, mas já sentiu na pele a dor de perder um animal. “Eu mesmo enterrei um cachorro meu aqui”, contou.

fonte:  Jornal O São Goncalo

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