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Estamos muito mais para 50 tons de cinza que para preto no branco, em se tratando da sustentabilidade

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Estamos muito mais para 50 tons de cinza que para preto no branco, em se tratando da sustentabilidade

Por Vilmar Sidinei Demamam Berna*

“... uma coisa pode ser valor de uso, sem ser valor. É esse o caso, quando a sua utilidade para o homem não é mediada por trabalho. Assim, o ar, o solo virgem, os gramados naturais, as matas não cultivadas etc. Uma coisa pode ser útil e produto do trabalho humano, sem ser mercadoria. Quem com seu produto satisfaz sua própria necessidade cria valor de uso, mas não mercadoria. Para produzir mercadoria, ele não precisa produzir apenas valor de uso, mas valor de uso para outros, valor de uso social.”
MARX. O capital, 1988. p. 49

A natureza desde sempre nos ofereceu “serviços” ambientais de forma livre e gratuita, de grande valor, e que até agora não tinham preço! A água que bebemos, o ar que respiramos, a biodiversidade que nos alimenta, os ciclos da natureza que mantém o clima como conhecemos, tudo de grande valor, mas sem preço, por que nem tudo é mercadoria.

Não cabe ao Mercado estabelecer o que terá preço ou não, por que quem es tabelece as regras e as políticas públicas, são os poderes públicos. O Mercado aproveita as oportunidades.

Entretanto, o mundo não é bem frequentado apenas por anjos. Existe uma tensão permanente entre os interesses públicos e os privados. A corrupção, o financiamento de campanha, o controle dos meios de comunicação fazem a balança dos interesses privados pender mais para o lado do Mercado que para o lado dos interesses públicos, e aí quem perde é a sociedade.

E como a sociedade não é um bloco homogêneo, perde mais quem pode se defender menos, e são os pobres, invariavelmente, os que mais sofrem todas as vezes que o Mercado ganha.

O Mercado pressiona para que os poderes públicos diminuam o tamanho das Unidades de Conservação; para que transforme a água em mercadoria; para que permita o congelamento de áreas de biodiversidade preservada para compensar áreas destruídas; para tornar mais permissivas regras de produtos geneticamente modificados; para que o meio ambiente possa receber cargas maiores de poluição, etc.

É uma luta surda, em que mentir, dar rasteiras, manipular informações, é mais comum do que se imagina.

Os que lutam pelo meio ambiente precisam estar o tempo todo muito atentos, pois nem tudo o que se diz e tenta parecer sustentável, é sustentável de verdade.

* Escritor e jornalista, fundou a Rebia - Rede Brasileira de Informação Ambiental (rebia.org.br), e edita deste janeiro de 1996 a Revista do Meio Ambiente (que substituiu o Jornal do Meio Ambiente), e o Portal do Meio Ambiente (portaldomeioambiente.org.br). Em 1999, recebeu no Japão o Prêmio Global 500 da ONU para o Meio Ambiente e, em 2003, o Prêmio Verde das Américas

ALERJ

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