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15 Mulheres Que Lutam Contra O Caos Climático

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15 Mulheres Que Lutam Contra O Caos Climático
3 das 15 mulheres aqui representadas: Angela Merkel, Mary Robinson e Marina Silva

Da redação Buzzfeed

Elas estão à esquerda e à direita, vêm de todas as partes do mundo e trabalham por uma causa comum: evitar que a mudança climática descontrolada acabe com a vida de mulheres e homens nas próximas décadas. Neste Dia da Mulher, no mês em que o Observatório do Clima completa 15 anos, conheça 15 mulheres que tentam deixar a Terra um pouquinho mais habitável para você.

1 - Patricia Espinosa

“Consenso não quer dizer unanimidade, senhor embaixador.” Com essa frase e uma batida de martelo, a então chanceler do México evitou que uma objeção levantada pela Bolívia de última hora botasse abaixo a conferência do clima de Cancún, em 2010, que recolocou nos trilhos o acordo do clima após o fiasco de Copenhague, no ano anterior. A habilidade da ex-chanceler mexicana lhe valeu em 2016 a indicação para chefiar a Convenção do Clima das Nações Unidas, que ela hoje pilota.

2 - Christiana Figueres

Primeira latino-americana a chefiar a Convenção do Clima, a costa-ricense de longo pedigree político (seu pai e seu irmão foram presidentes do país) imprimiu seu estilo informal à negociação climática e reconquistou o espaço político que a ONU perdera com o fracasso da conferência de Copenhague. Liderou com a francesa Laurence Tubiana o difícil processo de negociação do Acordo de Paris, ajudando a construir a confiança entre os países que foi crucial para o sucesso da negociação. Rascunhou de próprio punho o texto do objetivo de longo prazo do acordo, encontrando uma formulação que agradasse a países ricos e pobres.

3 - Suzana Kahn

Como secretária nacional de Mudanças Climáticas, a pesquisadora da UFRJ foi uma das responsáveis pela adoção das metas do Brasil em Copenhague, que seriam sedimentadas na Política Nacional de Mudança Climática. Sua gestão iniciou um esforço por transparência no reporte de emissões do Brasil que foi o embrião do SEEG, o Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa do OC. Produziu o plano de mudanças climáticas do Estado do Rio e ajudou a fundar o Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, do qual é coordenadora científica. Como se não bastasse tudo isso, ainda canta.

4 - Naomi Klein

Estrela da esquerda, pacifista, feminista e crítica da globalização, a escritora canadense construiu a ponte entre o movimento Occupy Wall Street e o ativismo climático, ajudando a criar o caldo de cultura que permitiu ao governo Obama liderar (ainda que por pouco tempo) o processo político que resultou no Acordo de Paris. É autora do best-seller This Changes Everything, que mostra como o capitalismo arruinou o clima da Terra.

5 - Thelma Krug

A matemática brasileira foi uma das criadoras do Prodes, o sistema de monitoramento do desmatamento na Amazônia, e hoje é diretora de Prevenção e Combate ao Desmatamento no Ministério do Meio Ambiente. Vice-presidente do IPCC, será uma das responsáveis pelo aguardado relatório do painel de 2018 sobre os impactos da meta de estabilização do clima em 1,5oC.

6 - Valérie Masson-Delmotte

No filme Uma Verdade Inconveniente, Al Gore sobe numa grua para mostrar, num gráfico gigante projetado numa tela, como as concentrações atuais de CO2 na atmosfera não têm precedentes em 800 mil anos. Esse gráfico resulta do trabalho da engenheira francesa Valérie Masson-Delmotte, que se dedica a estudar o gelo dos polos em busca de pistas sobre o passado do clima na Terra. De tempos em tempos, ela se abala até a Groenlândia para fazer pesquisas, mas seu trabalho mais famoso é sobre a Antártida, onde nunca botou os pés. “Com filhos pequenos seria difícil”, costuma dizer. É copresidente do Grupo 1 do IPCC, que produzirá a base científica do Sexto Relatório de Avaliação do painel.

7 - Angela Merkel

Conservadora e cristã, dificilmente pareceria alguém em quem a humanidade devesse depositar esperanças na luta contra o caos climático. Mas a premiê da Alemanha encarna hoje a principal liderança política global pela descarbonização da economia – termo que, aliás, ela tratou de inserir no vernáculo governamental. A ligação de Merkel com o tema é antiga: como ministra do Meio Ambiente, ela presidiu a COP1, a primeira conferência do clima da ONU, que abriu caminho para o Protocolo de Kyoto.

8 - Naomi Oreskes

A historiadora americana está na linha de frente da guerra cultural de seu país, como uma das principais vozes a combater o negacionismo climático que impera no atual governo americano. Ela é autora de estudos pioneiros que mostraram que os autoproclamados “céticos” não têm expertise na área climática. Em 2010, publicou com Eric Conway o livro Merchants of Doubt, que conta a origem do negacionismo como uma aliança entre a indústria e os neoconservadores saudosos da Guerra Fria.

10 - Debra Roberts

A pesquisadora sul-africana é uma pioneira dos estudos sobre o impacto das mudanças climáticas nas cidades – e sobre como as cidades podem criar resiliência a esse impacto. Ela produziu o plano de adaptação de Durban, onde mora, e coordenou o capítulo de Cidades do último relatório do IPCC. Roberts é copresidente do Grupo 2 do painel do clima, que trata de impactos e vulnerabilidades.

10 - Mary Robinson

A primeira mulher presidente da Irlanda (1990 a 1997) é uma das principais vozes no mundo hoje a advogar por responsabilidade socioambiental nos negócios. Preside a Fundação Mary Robinson para Justiça Climática e é membro do B-Team, um grupo de empresários formado para pressionar por mais ambição nas metas climáticas dos países.

11 - Marina Silva
 

Anda meio sumidinha ultimamente, mas a ex-ministra do Meio Ambiente foi a principal responsável pelas medidas que levaram o país a derrubar o desmatamento na Amazônia – um dos maiores esforços de redução de emissões já feitos. O Fundo Amazônia, o Fundo Clima e o Plano de Prevenção e Combate ao Desmatamento foram originados em sua gestão. A Política Nacional de Mudanças Climáticas também tem DNA da fundadora da Rede.

12 - Susan Solomon

Na década de 1980, a jovem cientista americana trabalhando na Antártida descobriu onde acontecem as reações químicas que destroem a camada de ozônio. Seu trabalho foi chave para a adoção do Protocolo de Montréal, o tratado ambiental mais bem-sucedido da história, embora tenha sido injustiçada pelo Prêmio Nobel, dado a outros pioneiros do ozônio em 1995. Segue fazendo pesquisas fundamentais sobre o sistema climático e sua reação aos gases de efeito estufa. Foi coordenadora do Quarto Relatório de Avaliação do IPCC, de 2007, que declarou pela primeira vez que o aquecimento do sistema climático é “inequívoco”.

13 - Izabella Teixeira

Não se deixe enganar pelo estilo “tapa-na-cara” da ex-ministra do Meio Ambiente do Brasil: ela é uma negociadora hábil, que ajudou a destravar dificuldades políticas entre países ricos e pobres no Acordo de Paris. Foi num discurso dela na conferência de Durban, em 2011, que apareceu pela primeira vez a sinalização de que um grande país em desenvolvimento aceitava metas obrigatórias para todos no acordo do clima – assunto que até então era tabu.

14 - Ana Toni

A paulista radicada no Rio não é dessas que se acorrentam em plataformas de petróleo, mas é uma ativista de múltiplos chapéus e de atuação fundamental nos bastidores. Durante seu mandato como presidente do Conselho Diretor do Greenpeace Internacional, de 2011 a 2017, a ONG realizou ações espetaculares em protesto contra a exploração de óleo no Ártico. É cofundadora do Instituto Escolhas, que produz informação para qualificar o debate sobre sustentabilidade, e diretora do Instituto Clima e Sociedade, que financia projetos em clima da sociedade civil, da academia e de governos.

15 - Dessima Williams

A embaixadora de Granada liderou, em 2009, um movimento de 40 pequenas nações insulares para incluir no texto do Acordo de Copenhague a menção a uma estabilização da temperatura da Terra em 1,5oC. Foi a primeira vez que esse número, crucial para a sobrevivência das nações-ilhas, foi citado nas negociações globais de clima. Ninguém levou muito a sério, visto que já naquela época havia dúvidas sobre a factibilidade da meta. Mas Williams e seus aliados não desistiram: o objetivo de 1,5oC acabou entrando no Acordo de Paris, e é uma das principais novidades do texto.

Fonte: Ceert.

ALERJ

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