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A crise não é socioambiental, é civilizatória

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A crise não é socioambiental, é civilizatória - Por Vilmar Berna

Por Vilmar Sidnei Demamam Berna*

Os problemas ambientais atingem a todos, independente de classe social, mas é óbvio que os pobres, que não tem como se defender, acabam sendo mais atingidos e são obrigados a migrar para não perecerem. Isso não signifi ca que ser rico servirá de salvo conduto para livrar uma pequena parcela de nossa espécie dos problemas ambientais. Pode resolver aqui e ali, localmente, mas se continuar a escalada irresponsável de uso ilimitado de recursos e de destruição de ecossistemas, nem os ricos terão para onde fugir, por que não existe um segundo planeta terra de recursos.

As economias capitalista e comunista, para ficar só nessas duas, não diferem na forma como extraem e transformam os recursos naturais. Ambas agem de maneira irresponsável ao tratar o Planeta como uma espécie de armazém de recursos naturais infinitos por um lado e uma lixeira de capacidade infinita para absorver nossos restos e poluição, por outro.

O Mar de Aral, que virou deserto na China Comunista, ou os frequentes acidentes ambientais no mundo capitalista revelam bem o quanto a questão ambiental e desrespeitada por ambos.

A corrida aos recursos naturais se intensifi cou ainda mais nas últimas duas centenas de anos com a invenção das máquinas, que mudou a escala da extração de recursos de artesanal para industrial, e com a elevação do consumismo como um valor a ser perseguido como sinônimo de sucesso e felicidade.

Em consequência, a pegada ecológica agigantou-se e nada indica que irá diminuir com o atual crescimento demográfi co, o consumo de recursos limitados, a emissão de gases carbônicos, a extinção em massa das espécies.

O aumento dessa pegada ecológica não se converteu em melhor qualidade de vida no mundo e menos ainda no atendimento das necessidades dos mais pobres, mas serviu para aumentar ainda mais a concentração de riquezas ou nas mãos dos mais ricos, no caso dos regimes capitalistas, ou nas mãos do Estado, no caso dos regimes comunistas. Então, fica óbvio que não será aumentando o tamanho da pegada ecológica que se atenderá à necessidade dos mais pobres, mas distribuindo melhor as riquezas e combatendo a concentração de renda e de poder.

Seja no capitalismo ou no comunismo uma coisa é certa, os donos do poder político e econômico não gostam de perder poder. Como o amor, a fraternidade, a solidariedade não se dão por decreto, a humanidade terá ainda uma dura jornada pela frente para aprender a dominar a si própria antes de pretender dominar a natureza, pois o que conseguimos até aqui foi mais destruir e arrasar que colaborar para tornar este mundo melhor.

* escritor e jornalista, fundou a rebia - rede brasileira de informação ambiental (rebia.org.br), e edita deste janeiro de 1996 a revista do meio ambiente (que substituiu o Jornal do meio ambiente), e o Portal do meio ambiente (portaldomeioambiente.org.br). em 1999, recebeu no Japão o Prêmio global 500 da onU para o meio ambiente e, em 2003, o Prêmio verde das américas.

ALERJ

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