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Olimpíadas não deixarão legado ambiental para Rio

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Mesmo assumindo uma série de compromissos para o meio ambiente, o estado e o município do Rio não cumpriram nenhum deles

por Mariana Pitasse

A questão ambiental está longe de ser uma pauta amplamente discutida no Brasil. Com a chegada das Olimpíadas, esse problema ficou ainda mais evidente. Mesmo assumindo uma série de compromissos olímpicos para o meio ambiente, o estado e o município do Rio de Janeiro não cumpriram nenhum deles.

A agenda do meio ambiente foi apresentada ao Comitê Olímpico Internacional (COI), no dossiê de candidatura da cidade, em 2009, como um dos principais pontos positivos que seriam deixados pelos jogos, uma espécie de “herança olímpica”.

Entre essas metas estavam o tratamento do esgoto lançado na baía de Guanabara, a revitalização da lagoa de Jacarepaguá, que margeia o Parque Olímpico, e a abertura da Lagoa Rodrigo de Freitas para banhistas. Muito mais simples do que as outras promessas, o plantio de mudas na Mata Atlântica também não foi concluído.

“A questão ambiental é vista de forma desconexa das questões sociais, urbanas, de mobilidade e habitação. Sempre é tratada como impasse ao desenvolvimento. O que aconteceu com o Rio é reflexo de como a política ambiental é deixada de lado em todas as esferas governamentais. Funciona como propaganda, mas não como ação”, afirma a bióloga e ativista Juliana Teixeira.

O tratamento do esgoto lançado na baía de Guanabara é o principal símbolo de uma promessa fracassada há anos por sucessivos governos. No dossiê de candidatura do Rio aos Jogos Olímpicos, o megaevento foi apontado como uma forma de acelerar o projeto, em pauta desde os anos 1990.

“O estado da Baía de Guanabara é fruto do descaso de todos os governos que passaram pelo Rio. E quem prometeu despoluir a Baía em cinco anos o fez por falta de consciência. Esse é um processo que leva, no mínimo, 20 ou 30 anos”, explica Dora Negreiros, presidente do Instituto Baía de Guanabara, que trabalha há 23 anos com educação ambiental dos moradores do entorno da Baía.

O objetivo era limpar 80% do esgoto produzido diariamente por mais de 10 milhões de pessoas. Segundo a Secretaria Estadual do Ambiente, o descumprimento da despoluição da Baía de Guanabara e Lagoa de Jacarepaguá foi causado tanto por falta de planejamento como pela crise financeira.

O Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) estima que o saneamento de toda a região da Baía de Guanabara custaria em torno de R$ 27,7 bilhões ao longo dos anos, ou seja, um volume de recursos equivalente a 9,3% da soma do PIB (Produto Interno Bruto) dos municípios da Baía de Guanabara.

“Essa é uma realidade possível e necessária, não só para o ambiente, como também para a população que vive em torno da Baía. Estamos séculos atrasados em saneamento. Nas favelas e periferias, algumas famílias não têm água tratada e nem esgoto. Em muitos lugares o esgoto existe, mas não recebe tratamento para chegar até a Baía. A primeira etapa que temos que concluir é o saneamento”, explica Dora Negreiros. “Não só para os jogos Olímpicos, mas para o meio ambiente e o país”.


Fonte: Brasil de Fato.

ALERJ

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