Imprimir

O feitiço virou contra o feiticeiro

. Acessos: 200

Por Vilmar Sidnei Demamam Berna*

951No que diz respeito a maltratar animais, discordo de Christos Reid (veja o artigo na página 27), quando afi rma que “Os homens são criaturas assustadoras com um hábito cada vez mais documentado de matar mulheres, homens gays, animais e outros homens de quem não gostam.” Discordo, por que mulheres mentalmente perturbadas também o fazem.

E em relação a generalização “homem”, também discordo. Nem todos são assim. Esta não é uma característica masculina, nem feminina, mas apenas dos perturbados moral, ética e mentalmente, e que não tiveram a coragem de enfrentar seus medos e escrever suas próprias histórias, que escolheram não ter estilo, mas ser o que os “outros” esperam que ele seja. E isso afeta tanto masculino quanto feminino, esteja em que gênero estiver.

Também não acho que “falar” seja uma solução universal, capaz de ‘abrir a panela de pressão’. Às vezes pode acontecer o contrário. Nem sempre palavraspodem ser esclarecedoras, pois também podem ser fontes de infortúnio e obstáculo às relações, podem enganar, mentir, agredir. Quando falamos, falamos para outro, e esse outro interpreta o que dizemos da forma como melhor entender, de acordo com seus valores, histórias, informações.

É uma espécie de preconceito imaginar que o silêncio é mau e o discurso é bom, ou que todos os problemas se resolvem com conversa. Cada umtem o seu tempo. Há tempo para falar e para calar.

OUTRO MUNDO MELHOR É POSSÍVEL
Às vezes voltar a se religar à natureza, mudar a alimentação, tentar deixar de querer ser perfeito ou pretender agradar a todos, mudar de cidade ou emprego, procurar ajuda profi ssional, etc., podem fazer melhor efeito.

Nos afastamos demais da natureza para construir um tipo de civilização humana que faz questão de se manter separada, como se houvesse vergonha em ser confundido com animais, com a natureza, como se nossos instintos fossem motivo de vergonha e só a cultura que produzimos é que pode ter mérito.

Na prática, esta separação é uma espécie de autodefesa moral e ética para que nossa civilização não se sinta culpada nem responsável moralmente pelo estupro e a violência diária e permanente de nosso estilo de vida contra a natureza e as demais espécies. E não é de hoje que agimos assim. Desespiritualizamos e coisificamos a todos que queremos explorar. Assim agem os psicopatas em relação às suas vítimas. Assim agiram homens e mulheres nos tempo da Escravidão, para melhor explorar semculpa outros seres humanos.

A cegueira é proposital. Não aprendemos com os próprios erros por que preferimos nos manter cegos a eles. O preço de abrir os olhos pode ser duro demais. Por isso as verdades são inconvenientes e as mentiras são confortáveis, mas, até quando?

Agora, o feitiço virou contra o feiticeiro. O suicídio aumentou, a violência aumentou, a intolerância e a insensibilidade com a dor do outro aumentaram, sinais da decadência de nossa civilização. Ou mudamos este estilo de vida esquizofrênico, ou enlouqueceremos todos, homens, homossexuais, mulheres, e o suicídio deixará de ser de indivíduos para ser de toda uma espécie.

* escritor e jornalista, fundou a rebia - rede brasileira de informação ambiental (rebia.org.br), e edita deste janeiro de 1996 a revista do meio ambiente (que substituiu o jornal do meio ambiente), e o Portal do meio ambiente (portaldomeioambiente.org.br). em 1999, recebeu no japão o Prêmio global 500 da onu para o meio ambiente e, em 2003, o Prêmio verde das américas

ALERJ

DMC Firewall is developed by Dean Marshall Consultancy Ltd