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Legal e democrático mas ilegítimo

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Por Vilmar Berna*

Sabe os progressos na legislação ambiental conquistados nas últimas décadas? Pois é, estamos correndo sérios riscos de retrocesso, a despeito dos esforços heróicos de um pequeno grupo de combatentes que, ainda bem, e apesar de tudo, não desistiram de lutar. O que seria de nós se os maus calassem a voz dos bons?

A democracia não é um sistema linear, em que vamos aprendendo com os erros e progredindo para melhorar e avançar sempre, para cima e avante! Isso seria o ideal. Mas não é assim que funciona. A democracia pode andar para trás, como regredimos agora, vários e vários anos, talvez décadas. Hitlerfoi eleito democraticamente e sua “solução fi nal”, que assassinou milhõesde seres humanos, estava dentro da legalidade das leis alemãs de sua época.A Escravidão dos negros no Brasil também, até bem pouco tempo

As doações de empresas aos partidos e políticos, por exemplo – em troca de favores –, está dentro da legalidade democrática. Mas são ilegítimas! Empreendimentos faraônicos, de utilidade duvidosa, com grandes danos ao meio ambiente e as pessoas foram aprovados por conta de gordíssimas comissões de empreiteiras para os partidos e os políticos. E de nada adiantaram audiências públicas, laudos técnicos, campanhas, protestos! A cobiça e a ganância falaram – e, infelizmente, ainda falam – mais alto. Por tais caminhos tortuosos surgiram comperjs, belo montes, usinas nucleares, etc, o Brasil virou o campeão do consumo de agrotóxicos, alguns proibidos nos próprios países de origem e reconhecidamente lesivos ao meio ambiente e à saúde da população pelos próprios fabricantes!

A corrupção se instalou de tal forma no Brasil que só uma nova eleição constituinte para talvez dar jeito. Uma que rediscuta o presidencialismo de coalizão, que obriga os chefes do Executivo a terem de negociar fatias de poder com os parlamentos para assegurar a governabilidade. Que acabe com a farra de criação de partidos que fragmentam a representação política. Que acabe com a eleição de quem não teve voto sufi ciente, mas que se benefi - cia dos “puxadores de legenda”, geralmente falsos líderes como comunicadores populares, artistas, atletas, que tem visibilidade pública mas que não entendem nada de política. Uma que invertesse a prioridade de uma educação para o mercado para uma educação para a cidadania em primeiro lugar. Pois as regras do mercado não são as mesmas da educação, e não existe uma vaga de emprego esperando pelo aluno no final do curso.

Nossos políticos, que deveriam nos representar, em sua maioria, não nos representam. No discurso falam em nome do Brasil e do seu povo, mas na prática agem em nome de seus próprios interesses, o que inclui os interesses de seus fi nanciadores. Alguns com uma visão distorcida de progresso e desenvolvimento onde o meio ambiente é ou estorvo ou recurso, como se as pessoas comessem dinheiro e respirassem concreto, aço e asfalto.

* Escritor e jornalista, fundou a Rebia - Rede Brasileira de Informação Ambiental (rebia.org.br), e edita deste janeiro de 1996 a Revista do Meio Ambiente (que substituiu o Jornal do Meio Ambiente), e o Portal do Meio Ambiente (portaldomeioambiente.org.br). Em 1999, recebeu no Japão o Prêmio Global 500 da ONU para o Meio Ambiente e, em 2003, o Prêmio Verde das Américas.

ALERJ

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