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Meio ambiente, democracia e corrupção

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O Brasil vive tempos tão obscuros na política que falar de meio ambiente parece um tema de menor importância

Por Vilmar Sidnei Demamam Berna*

Dizer que o problema está no sistema de financiamento de campanha dependente de empresas privadas é dizer pouco. Passa a falsa ideia de que, se o financiamento for público a corrupção acaba. Não acaba, enquanto houver corruptos e corruptores no poder eles sempre encontrarão um jeito de se locupletarem, seja com financiamento público ou privado.

A corrupção e os corruptos vivem e alimentam-se de criar facilidades onde existir dificuldades. Quanto mais rigorosa uma legislação, quanto mais o meio ambiente “atrapalhar” os gananciosos, mais corruptos entregarão descaradamente o patrimônio nacional em troca de esquemas para enriquecerem e se perpetuarem no poder. Não há argumento, estudo, mobilização, campanha que os faça desistirem, especialmente, como predadores, quando sentem o cheiro de sangue. No caso aqui, o sangue de empresas corruptas dispostas a depositarem generosas quantias em paraíso fiscais e em doações milionárias para campanhas políticas, e o pior, e “por dentro”, na legalidade!

A corrupção explica por que o Comperj, ou Belo Monte, ou as Usinas Nucleares, etc, foram construídos, apesar de todos os estudos e campanhas públicas desaconselharem e denunciarem o absurdo socioambiental que representam e representaram.

O meio ambiente que interessa aos corruptos é o meio ambiente que pode ser objeto de negócio aqui para gastar bem longe, no meio ambiente preservado dos outros, em países ricos e em paraísos fiscais onde suas fortunas estão bem protegidas. E quanto mais a população empobrece e fica vulnerável nos meios ambientes prejudicados, melhor, por que mais barato fica comprar votos nas próximas eleições.

Quem constrói, antes de ficar bonito sabe que fica muito feio. Tem de quebrar, lixar, mas existe um projeto na cabeça, uma utopia, em que um dia todo barulho, toda feiúra, todo entulho vai acabar. E é isso que nos dá esperança. A democracia não é uma obra acabada, mas em eterna construção, e a hora que vivemos hoje, na política brasileira, é muito feia.

Precisamos nos livrar do entulho, da sujeira, e construir sistemas de controle, e novas consciências nos eleitores, que impeçam que corruptos e corruptores cheguem ao poder e se sintam tão à vontade quanto nas últimas décadas.”

* Escritor e jornalista, fundou a Rebia - Rede Brasileira de Informação Ambiental (rebia.org.br), e edita deste janeiro de 1996 a Revista do Meio Ambiente (que substituiu o Jornal do Meio Ambiente), e o Portal do Meio Ambiente (portaldomeioambiente.org.br). Em 1999, recebeu no Japão o Prêmio Global 500 da ONU para o Meio Ambiente e, em 2003, o Prêmio Verde das Américas.

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