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Sustentabilidade: mais que mudança de cultura, um grito de liberdade!

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Por Vilmar Sidnei Demamam Berna*

Sustentabilidade não é uma questão de mudança econômica ou ambiental, pois não existe um Plano B e a extinção é a regra.

Que fique claro, quando se fala em sustentabilidade, se trata de mudança cultural civilizatória.

Entretanto, mudanças radicais, tipo rupturas abruptas não devem interessar às democracias, pois geralmente são produzidas e mantidas por ditaduras, e depois que o povo coloca um ditador no poder, não consegue mais que lhe devolvam as armas.

A mudança para a sustentabilidade, num ambiente democrático, passa por diversos graus de temperatura e pressão antes de produzir a fervura da ebulição. E este é o principal e maior desafio da sustentabilidade: como manter acesa a esperança, que dá motivação às mudanças, diante de quadros tão desfavoráveis.

Veja o caso da legalização da escravidão no Brasil. Para vergonha de todos nós, o Brasil foi o último país a acabar com a legalidade da escravidão. Foram quase 400 anos! E não foi por falta de luta ou de combatentes.

Não houve um único dia em todos esses quatro séculos em que alguém deixou de lutar pelo fim dessa legalidade ilegítima e vergonhosa. Importante que se diga, o que acabou não foi a escravidão. Essa ainda existe, infelizmente, desde os trabalhadores escravizados por dívidas quanto pela escravidão ao consumismo, tornando a todos nós escravos de um modelo cultural que vai na contramão da sustentabilidade, por que retira muito mais recursos do Planeta do que ele consegue se regenerar sozinho.

Se no passado, os poderosos usavam de canhões, correntes, chicotes para manter o povo escravizado, hoje dispõe da comunicação manipulada e manipuladora, comprometida com o consumismo, para nos manter a todos escravizados. Mais que apenas reciclagem, gestão e educação ambiental, a sustentabilidade é uma revolução cultural, uma espécie de denúncia dos nossos abusos e um grito de liberdade!

* Escritor e jornalista, fundou a Rebia - Rede Brasileira de Informação Ambiental (rebia.org.br), e edita deste janeiro de 1996 a Revista do Meio Ambiente (que substituiu o Jornal do Meio Ambiente), e o Portal do Meio Ambiente (portaldomeioambiente.org.br). Em 1999, recebeu no Japão o Prêmio Global 500 da ONU para o Meio Ambiente e, em 2003, o Prêmio Verde das Américas

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