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Menos da metade dos brasileiros sabe o significado da palavra biodiversidade

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Os sistemas educacionais brasileiros pouco valorizam o tema

Por CARL OS BRITO

Vinte por cento de todas as espécies que existem no planeta estão aqui, no Brasil. Seria natural imaginar que um montante tão elevado fizesse com que os brasileiros estivessem mais que familiarizados com a expressão biodiversidade. Longe disso. Pesquisa feita pelo Instituto Ipsos mostrou que apenas 48% das pessoas que vivem por aqui compreendem o termo – expressão que é utilizada para designar o conjunto de todas as espécies de seres vivos existentes no mundo. Uma situação que não chega a surpreender tanto quem acompanha de perto essa situação.

“É chocante mas, ao mesmo tempo, previsível. Os sistemas educacionais brasileiros pouco valorizam a questão da biodiversidade — são raras as escolas que levam os alunos aos parques próximos para tratar do tema. Por conta disso, boa parte dos brasileiros ainda se refere a esse assunto como algo distante, quase romântico quando na verdade é algo que nos cerca. A biodiversidade está ao nosso redor”, afirma Rafael Goelzer, diretor da Quinta da Estância, maior fazenda de turismo rural e pedagógico do Brasil, localizada em Viamão, no Rio Grande do Sul.

Realizado entre 30 de março e 29 de abril deste ano em nove países — França, Alemanha, Reino Unido, Holanda, Estados Unidos, Brasil, México, Equador e Índia — o levantamento do Instituto Ipsos ouviu 8.746 indivíduos cujas idades variavam entre 16 e 64 anos. Uma das metas era descobrir qual o grau de conhecimento dos habitantes de cada nação sobre o tema.

Segundo o Barômetro da Biodiversidade 2015, apresentado em Paris pela União pelo BioComércio Ético, 92% dos brasileiros já tinham ouvido falar do assunto, porém menos da metade da população do país conhece o verdadeiro significado da expressão.

“Os números chamam bastante a atenção. Ainda mais se considerarmos que 19% dos entrevistados no Brasil afirmaram que conhecem o termo apenas de forma parcial. Há um longo caminhoà frente para revertermos essa situação, e isso passa, de maneira obrigatória, pela educação e também por uma maior visibilidade do tema”, explica a gerente de pesquisa da Ipsos Public Affairs, Graziela Castello.

“Temos a maior biodiversidade do planeta, mas, infelizmente, ela ainda é vista por boa parte da população como algo que não faz parte da vida cotidiana de todos nós. Já encontrei crianças que sequer sabem que o leite vem da vaca, tamanho o distanciamento entre a rotina diária e a natureza”, exemplifica Goelzer

Educação ambiental

Para o deputado estadual Carlos Minc (PT), a raiz do desconhecimento tão acentuado pode ser encontrada na falta de educação ambiental nas escolas. “Além da preocupação com os fatores essenciais, como fauna e flora, acho que deveríamos fazer um esforço para implantar a educação ambiental na rede pública e também facilitar a explicação de termos como biodiversidade. Ainda estamos longe do nível educacional desejado para esse tipo de questão”, avalia o parlamentar, ex-ministro e secretário estadual do Meio-Ambiente.

A falta de conhecimento sobre o tema é detectada em um momento delicado para o assunto no Brasil. O Marco da Biodiversidade, documento apresentado pelo Executivo em 2014, foi aprovado em primeira votação na Câmara dos Deputados em fevereiro. Levado ao Senado, recebeu 23 emendas que acabaram por mudar o texto original. Por conta disso, precisou voltar a ser analisado pelos deputados. O documento acabou aprovado em 27 de abril e encaminhado para sanção da presidente Dilma Rousseff.

O projeto que teve aprovação prevê a redução considerável da burocracia para que pesquisadores e cientistas tenham acesso às espécies da fauna e flora brasileira e possam desenvolver trabalhos científicos a partir deles.

Fonte: o dia ig

ALERJ

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