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Caça ao javali: nova aberração ética

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Por Vilmar Berna*

sou contra a caça, sob qualquer pretexto e se for por prazer, por esporte, então, não há motivo algum. Já em 2009 escrevi artigo sobre o assunto intitulado “ Caça ecológica: aberração ética “ ( http://www.escritorvilmarberna. com.br/.../caca-ecologica-aber...) porque havia uma tentativa de se justifi car a caça esportiva no caso de animais que viravam “praga”.

Vindos principalmente de países que fazem fronteira livre com o Brasil os javalis-europeus e os java-porcos (cruzamento de javalis e porcos domésticos) foi autorizado pelo Ibama (http://www.oeco.org.br/.../26890-autorizada-a-caca-de-javali.../) depois que a espécie invasora se multiplicou de tal forma que virou uma ameaça do tamanho estimado de cerca de 300 mil indivíduos que formam bandos de 100 a 600 animais, e são bastante agressivos, invadindo fazendas e plantações e unidades de conservação.

Triste decisão essa do Ibama. Acho um retrocesso enorme em nossa legislação que proíbe a caça. Esta exceção é de uma incompetência por todos os lados que se olhe. Primeiro, o Ibama precisa investigar por que foi omisso deixando o problema dessa invasão tomar o tamanho que tomou. Segundo, por que está muito longe da caça esportiva ser alguma espécie sensata e efi ciente de política pública de manejo de espécies invasoras. Estima-se, hoje em cerca de 300 mil animais, que se multiplicam sem parar e já são um problema ambiental gravíssimo para as outras espécies nativas, para unidades de conservação, para lavouras. Precisaria de um exército de caçadores e ainda assim duvido muito que teriam sucesso. Terceiro, por que a caça precisa de armas e de cães treinados.

A CAÇA ESPORTIVA SOMA-SE UM OUTRO ASSUNTO POLÊMICO

Um grande grupo de pessoas acha equivocadamente que possuir uma arma em casa é um ato de defesa, quando na verdade é um risco a mais, para a própria família por causa dos acidentes e por que a família vira alvo dos bandidos, que vem atrás da arma para cometer seus crimes. E por mais bem armado que um cidadão esteja, o bandido tem o elemento surpresa ao favor dele e já está cheio de adrenalina quando nos aborda, enquanto as vítimas mal tem tempo de se preparar para fugir ou lutar.

Além disso tem toda a crueldade para treinar cães para a caça, ensinando-os com porcos comuns apavorados a cercar, morder, lutar.

Detalhe, para as demais espécies de porcos nativos, o queixada e o caititu, a proibição da caça continua proibida no Brasil e assim espero que continue.

É até hilário imaginar que um grupo de caçadores, armados até os dentes, geralmente atuando à noite, em clima de festa e encontro de amigos, no meio do mato, irá esperar ter certeza antes de atirar que é um java-porco ou javali-europeu ou um queixada... Ou mesmo uma anta, ou uma onça preta no meio do mato, ou um macaco catando sementes no chão! A tendência será atirar e perguntar depois. E no meio do mato, os malfeitos viram churrasco rápido e a lei do silêncio torna a companheirada ainda mais amiga.

Existem outras técnicas de manejo e de lidar com espécies invasoras que não dependem de estimular este triste aspecto de nossa natureza humana que a humanidade deveria, a seu próprio bem, estar tentando erradicar em vez de alimentar sobre qualquer pretexto.

* Escritor e jornalista, fundou a Rebia - Rede Brasileira de Informação Ambiental (rebia.org.br), e edita deste janeiro de 1996 a Revista do Meio Ambiente (que substituiu o Jornal do Meio Ambiente), e o Portal do Meio Ambiente (portaldomeioambiente.org.br). Em 1999, recebeu no Japão o Prêmio Global 500 da ONU para o Meio Ambiente e, em 2003, o Prêmio Verde das Américas

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