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Lenine: “a gente pode contribuir na melhoria do ser humano e tem muita coisa para ser feita”

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686por Vilmar Berna

Oswaldo Lenine Macedo Pimentel, cantautor, produtor musical e arranjador, recifense-carioca, brasileiro do mundo, traz em suas composições influências de manifestações culturais de seu país e de inúmeros gêneros musicais, desconsiderando rótulos ou classificações. Com mais de 30 anos de carreira, dez discos lançados, dois projetos especiais e inúmeras participações em álbuns de outros artistas, Lenine já teve suas canções gravadas por nomes como Elba Ramalho, Maria Bethânia, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Ney Matogrosso, O Rappa, Zélia Duncan, entre tantos outros.

Entre março e julho de 2014, Lenine se lançou pelo Brasil em sua primeira “Turnê Socioambiental”, visitando e compartilhando sua música nas sedes de projetos sociais de referência em todas as regiões do país, entre os extremos do Acre ao Rio Grande do Sul. Esse trabalho foi contado no livro Encontrosb Socioambientais com Lenine: Música e Sustentabilidade numa só nota – nome da iniciativa, reunindo-se com pessoas que buscam – numa definição simples e nada fantasiosa – melhorar o mundo. Homens e mulheres que tocam projetos bastante específicos, que podem ser a proteção de uma espécie única de pato selvagem ou a geração de renda.

O compositor acredita que sai fortalecido desta experiência. “Não o compositor ou músico sai fortalecido, o Lenine cidadão. Por ter a certeza de que a gente pode contribuir na melhoria do ser humano e que tem muita coisa para ser feita”, disse.

Você percorreu e conheceu muitos dos projetos socioambientais que estão acontecendo no Brasil. E aí, o que tem a dizer para nós? Afinal, temos motivos para ter esperanças?

Muitos. Acredito que no mundo existe mais gente do bem do que gente do mal. A grande dificuldade que vimos foi o fato dessas iniciativas estarem ilhadas, isoladas umas das outras e sofrendo dessa invisibilidade. São muitas histórias, que estão registradas num blog que fizemos e que estão disponíveis para consulta no meu site www.lenine.com.br

Qual dos projetos socioambientais que você conheceu no Brasil te chamou mais atenção? Por que?

É difícil citar um só, mas o projeto “Comunidade, geração e renda”, iniciativa da CESE e da Associação das Mulheres Trabalhadoras Rurais (AMTR), me chamou muito atenção. No povoado Ludovico, a 320 km de São Luís, ficam as Quebradeiras de coco do Maranhão, protagonistas do movimento Babaçu Livre, que luta pela afirmação da identidade das comunidades extrativistas e conservação das florestas de babaçu. São mulheres, em grande parte, viúvas, que fazem seu trabalho de quebrar o coco com seus machados – que chamam oportunamente de “maridos” – diariamente. E fazem isso cantando.

Explica para nós, o que é esse seu projeto artístico-musical Carbono?

Carbono é meu novo projeto, que chamo de filho mais novo, que inclui disco, show e uma série de ações.

Tem alguma ligação com a neutralização que a OSCIP PRI MA faz de seus shows plantando árvores?

Sim. E acrescento que ao longo de toda a minha trajetória as questões ambientais estiveram muito presentes.

A música, por tocar o coração, é uma poderosa ferramenta de educação ambiental. Você concorda com isso? Que canções você recomendaria para os professores que trabalham com Educação Ambiental?

Concordo em gênero, número e grau...indico o disco Carbono. Cada canção é uma reportagem.

O cantores Ney Matogrosso e Adriana Calcanhotto têm neutralizado o carbono dos seus shows, assim como o Coldplay, Paul McCartney, Madonna, The Police e U2. Como você entende essa atitude desses músicos?

Toda e qualquer atitude para diminuir o impacto da nossa intervenção no planeta é vital e fundamental.

Para compensar as emissões de GEE – gases do efeito estufa dos seus shows Carbono, você decidiu plantar mudas de manguezal ao invés de Mata Atlântica, por que?

Talvez pelo fato de eu ter nascido no Recife, uma cidade cercada de mangue por todos os lados. E pelas parcerias que ao longo dos anos eu venho fazendo...o que não exclui de numa nova oportunidade de fazer o mesmo à SOS Mata Atlântica, aliás, nossos parceiros há muito tempo.

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ALERJ

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