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A importância estratégica da transparência para a sustentabilidade

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61431883378Não temos – ainda – a Política e os políticos que queremos – com as raras exceções que felizmente ainda existem –, mas, ao apontar o dedo para eles, apontamos três para nós

Por Vilmar Sidnei Demamam Berna 

Quebramos a cara solenemente quando nos damos conta que erramos de novo, e elegemos – ou pior, reelegemos – pessoas e partidos baseados muito mais em suas promessas e discurso que em suas práticas, e quando não entregam o prometido, nos sentimos traídos. Então, mesmo frustrados, tentamos não errar de novo nas próximas eleições, mas a Política é muito mais um território dos sonhos que das práticas e até que aperfeiçoemos nossa capacidade de não nos deixar enganar novamente, ainda cometerem novos erros políticos. Entre estes erros está o de imaginar a perfeição.

Na prática, não existem pessoas perfeitas, e muito menos políticos e partidos, e por isso é fundamental a existência de mecanismos democráticos de tomada de consciência das informações de interesse público, e de participação popular nas decisões políticas, como audiências públicas por exemplo, orçamento participativo, comitês de bacias, referendos e plebiscitos, etc.

Entretanto, para que estes mecanismos funcionem é fundamental a transparência, pois só se o público tem acesso à informação, poderá opinar, fiscalizar, se defender. Político que não deve não tem o que temer com a transparência. Por contraposição, político que teme a transparência, pode estar querendo esconder alguma coisa.

Pode ser que não, pode ser apenas falta de organização, de prioridade na divulgação ou incompetência mesmo, mas até por uma questão de ética pessoal, de deixar claro para o público que não faz parte do joio de corruptos e de maus políticos, a transparência nos atos públicos é uma forma do bom político se destacar dos maus, além, claro, de ser um dever constitucional inerente ao administrador público.

Assim, não tem cabimento negociações a portas fechadas, como as que convertem multas ambientais em termos de ajustes de conduta, por exemplo.

Por outro lado, falar muito, informar muito, não significa necessariamente se comunicar. Mentiras, meias-verdades, falsas promessas, informações fora do contexto ou manipuladas, também são informações.

Queremos um país melhor, mais democrático, justo, fraterno, ecológico, mas não existe um país assim, pronto, em lugar nenhum no mundo. Teremos de construir sozinhos. E, quando digo construir, não imagino um processo rápido e muito menos que não retroceda. Quantas vezes, por erro de cálculo, numa obra, uma parede fica torta e precisa ser derrubada e reconstruída.

A construção de uma nação é obra coletiva e dura várias gerações, na verdade, uma civilização inteira. O tempo da democracia é o tempo da história e não da vida dos indivíduos.

Enquanto se constrói uma nação, se vive a vida, numa escala bem menor, de cerca de 80 anos, dos quais a metade praticamente se perde para compreender o mundo e a nós próprios, e quando nos damos conta, o tempo é curto.

ALERJ

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